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Julgamento Alcochete. "Bruno de Carvalho vai falar", garante advogado

O julgamento do processo do ataque à academia de futebol do Sporting, em Alcochete, começa esta segunda-feira no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, com 44 arguidos, entre os quais o ex-presidente Bruno de Carvalho.

Julgamento Alcochete. "Bruno de Carvalho vai falar", garante advogado

O advogado de Bruno de Carvalho já chegou ao Tribunal de Monsanto, em Lisboa, onde hoje vai decorrer o julgamento do processo do ataque à academia de futebol do Sporting, em Alcochete

À porta do tribunal, Miguel Fonseca garantiu: "Bruno de Carvalho vai falar seguramente, quando nós entendermos que é mais adequada. Quando chegar o momento certo, a gente tenta não falhar no momento certo. Esse discernimento cabe a mim. Se eu falhar, falei, se eu acertar, acertei. É assim, são as regras da coisa".

Já sobre o que pretende trazer para tribunal para que o seu cliente - ex-presidente do Sporting, acusado de ser um dos autores morais do crime - , seja inocentado, o advogado garantiu mostrar a "verdade".

"O Bruno de Carvalho não está convicto de coisa nenhuma, o Bruno de Carvalho quer trazer a verdade! Não está cá para fazer outra coisa", atirou.

Já Bruno de Carvalho não quis falar à chegada ao Tribunal.

À porta de tribunal, falou ainda Aníbal Pinto, que vai defender alguns dos 44 arguidos. De acordo com este advogado, "o que aconteceu é factual, há imagens", mas o que importa e é mais difícil saber é "quem fez e em que condições é que fez".

"O importante vai ser aferir os factos, saber se existiram mandantes e se existiram pessoas que foram mandadas", disse desvalorizando a possibilidade de os arguidos incorrerem num crime de terrorismo.

"Este é um processo muito mediático. Será um processo que terá tendência a ser comentado. Agora tenho ouvido disparates jurídicos, sobretudo quando falamos de terrorismo", frisou.

Já sobre a possibilidade de os seus clientes serem ilibados, Aníbal Pinto disse apenas não ter dúvidas que "a maioria dos jovens estão arrependidos" e tem esperança que se faça justiça.

"A Justiça não funciona num saco, não funciona num todo. Vamos depois é ver se o Tribunal será indiferente à pressão social e desportiva", concluiu.

Julgamento começa um ano e meio depois do ataque

Recorde-se que o julgamento do processo do ataque à academia de futebol do Sporting, em Alcochete, começa hoje no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, com 44 arguidos, entre os quais o ex-presidente Bruno de Carvalho.

O processo pertence ao Tribunal de Almada, mas por "questões de logística e de segurança" realiza-se em Monsanto, em Lisboa, explicou anteriormente à agência Lusa fonte judicial, e terá como presidente do coletivo de juízes Sílvia Pires.

Em 1 de agosto, o juiz de instrução criminal Carlos Delca pronunciou (decidiu levar a julgamento) todos os arguidos nos exatos termos da acusação do Ministério Público (MP), deduzida pela procuradora Cândida Vilar, depois de vários arguidos requererem abertura de instrução, fase facultativa que visa decidir se o processo segue e em que moldes para julgamento.

Na decisão instrutória, este juiz determinou que todos os arguidos que se mantinham em prisão preventiva passassem para prisão domiciliária (OPHVE), exceto o líder da claque Juventude Leonina, 'Mustafá', que continua em prisão preventiva.

Com Obrigação de Permanência na Habitação, com Vigilância Eletrónica (OPHVE), permanecem 36 dos 44 arguidos, depois de Elton Camará ter cortado a pulseira eletrónica, o que levou um juiz a ordenar a prisão preventiva deste arguido.

Bruno de Carvalho, que até esse dia estava sujeito à medida de coação de apresentações diárias às autoridades e ao pagamento de uma caução de 70.000 euros, passou a estar obrigado a apresentar-se quinzenalmente.

A acusação do Ministério Público (MP), assinada pela procuradora Cândida Vilar, conta que, em 15 de maio de 2018, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, distrito de Setúbal, por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina e do subgrupo Casuais (Casuals), que agrediram técnicos, jogadores e 'staff'.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o MP imputa-lhes a coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

Para a procuradora Cândida Vilar, que viu a acusação do MP confirmada pelo juiz de instrução criminal Carlos Delca, o então presidente do clube, Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estavam a par do plano e "nada fizeram" para impedir o ataque.

"Bruno Jacinto, Bruno de Carvalho e Nuno Mendes [Mustafá] conheciam o plano delineado pelos restantes primeiros 41 arguidos e determinaram-nos à prática dos crimes de ameaça, ofensa à integridade física e sequestro", lê-se na acusação.

Leia Também: Alcochete. Arranca hoje o julgamento do ataque à academia do Sporting

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