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Governo alerta para a forma como a "violência é comunicada"

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, afirmou hoje que a utilização de "certas palavras e não outras condicionam a própria descrição da realidade", relativamente às notícias sobre violência.

Governo alerta para a forma como a "violência é comunicada"

No decorrer do 3º encontro 'O homem promotor da igualdade- homens e mulheres lado a lado pela igualdade de género', que começou hoje e prolonga-se até sábado no Instituto Universitário de Lisboa, ISCTE-IUL, Rosa Monteiro alertou para o papel da comunicação, tema central desta edição.

Rosa Monteiro enfatizou que nos crimes de violência doméstica, o próprio ato de se escrever sobre o caso, mostra ao público que é "notícia porque diz respeito a todos e a todas".

"Devem ser discutidas as fronteiras entre a liberdade de expressão e aquilo que é ou pode ser o incitamento à própria violência e ao ódio", disse a secretária de Estado.

"As representações mediáticas da violência, dos agressores, das vítimas e até das testemunhas são uma dimensão da problematização. Precisamos de informação contextualizada, que ajude a encontrar soluções, que não reproduza acriticamente estereótipos enraizados na sociedade em que vivemos", acrescentou.

Relativamente às notícias acerca de violência sexual, o presidente da Quebrar o Silêncio, associação portuguesa de apoio a homens vítimas de violência sexual, Ângelo Fernandes, considera que muitas vezes está presente "o uso de linguagem sexualizada, romantização do crime e tom sensacionalista, que contribui para o reforço de crenças e ideias erradas, ausência de contextualização deste tipo de crime, das estatísticas e relatórios oficiais".

Ângelo Fernandes destacou o papel fundamental que a imprensa tem nestas matérias.

O presidente anunciou que a associação está a criar um guia destinado aos órgãos de comunicação social, com orientações para a escrita de notícias sobre violência sexual, lançado em 2020.

Este guia conta com o apoio do Governo.

No início de setembro, a Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade lançou um guia de boas práticas dos órgãos de comunicação social para a prevenção e combate à violência contra as mulheres e violência doméstica.

O guia de boas práticas vai chegar às redações e escolas de jornalismo de todo o país e resulta de uma parceria com os vários grupos e órgãos de comunicação social, com a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), com o Sindicato dos Jornalistas Portugueses e com especialistas em género e comunicação.

O documento apresenta uma lista de recomendações, como por exemplo enquadrar a violência contra mulheres como violência de género, evitar culpabilizar as vítimas, evitar a romantização da violência utilizando termos como "crime passional", fazer acompanhar qualquer notícia sobre violência contra as mulheres e violência doméstica de informação de rodapé com as linhas de apoio existentes e enfatizar a natureza pública do crime de violência doméstica.

Estas e outras recomendações fazem parte de um conjunto de 10 objetivos expressos no guia, acompanhados de vários exemplos concretos, que têm como objetivo capacitar a comunicação social para a proteção da vítima e para o combate a este tipo de crimes.

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