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Eurodeputados defendem ações concretas contra desflorestação da Amazónia

Eurodeputados portugueses do BE, PAN, PS, PSD, PCP e CDS-PP defenderam hoje que a União Europeia (UE) deve adotar "ações concretas" para instar as autoridades brasileiras a combater a desflorestação da Amazónia, recentemente devastada por grandes incêndios.

Eurodeputados defendem ações concretas contra desflorestação da Amazónia

Os incêndios florestais da Amazónia estiveram em debate na sessão plenária do Parlamento Europeu, que decorre até quinta-feira na cidade francesa de Estrasburgo.

A eurodeputada Marisa Matias, do Bloco de Esquerda (BE), à margem da sessão, disse à Lusa que a questão da Amazónia "ultrapassa muito o Brasil", já que "se está a falar de uma das maiores fábricas de produção de oxigénio do mundo".

"A UE pode dizer o que entender, mas se não tiver ações concretas, nomeadamente no que toca ao acordo que se está a negociar com os países da Mercosul [organização do Mercado Comum do Sul] no sentido de não importar carne, não importar soja ou madeira da Amazónia, continuará a alimentar o agronegócio", frisou.

A eleita do BE vincou: "De lágrimas de crocodilo estamos um bocadinho cansados e, por isso, era preciso que houvesse uma ação mais concreta e que houvesse coragem para impedir o que tem sido o massacre da floresta e das comunidades que ali vivem".

O eurodeputado Francisco Guerreiro, do PAN (Pessoas-Animais-Natureza), defendeu que a UE deve adotar uma "posição firme" e congelar o acordo assinado no final de junho com a Mercosul, levando o Brasil a adotar medidas contra a desflorestação.

"A UE tem um grande mercado no Brasil e, para nós, é evidente que a UE deve congelar esse acordo para que se crie um roteiro e um plano claro para parar o desmatamento e para regenerar a Amazónia", acrescentou à Lusa, sugerindo o fim da importação de carne e soja do Brasil.

Isabel Santos, do PS, também notou que "o Brasil é um parceiro muito importante não só de Portugal como da UE", pelo que, a seu ver, a União "não pode ficar indiferente num momento em que as questões do combate às alterações climáticas e a luta pela proteção do ambiente estão em cima da mesa".

Para José Manuel Fernandes, do PSD, a solução passa pela cooperação "no sentido de combater as alterações climáticas e de proteger a floresta".

"A UE tem obrigação de, também ela, cooperar em fundos e programas que ajudem a floresta em termos mundiais", assinalou à Lusa, advogando a criação de "uma estratégia europeia para a floresta".

Já segundo o eurodeputado João Ferreira (PCP), "os incêndios que devastaram a Amazónia nas últimas semanas justificam algum tipo de cooperação internacional, desde que respeitando a soberania do Brasil".

"Para lá disso, o que fica à vista são as consequências que pode ter a desflorestação do ponto de vista de serem áreas que virão a ser ocupadas por agropecuária", adiantou.

O eurodeputado Nuno Melo, do CDS-PP, realçou que "a desflorestação da Amazónia acontece desde os anos 1970", considerando que o tema só ganhou visibilidade por Jair Bolsonaro ser Presidente do Brasil.

O centrista propôs que a UE "colabore com as autoridades dos diferentes países [abrangidos pela Amazónia] para mudar mentalidades e, assim, reduzir este fenómeno", evitando "uma simples lógica punitiva que leve estes países a ter uma reação oposta".

O Governo brasileiro, liderado por Jair Bolsonaro, foi fortemente questionado nas últimas semanas pela comunidade internacional por causa do ressurgimento de grandes ações de desflorestação e incêndios na Amazónia no território do Brasil.

Segundo dados oficiais provisórios, a destruição da floresta amazónica no Brasil praticamente duplicou entre janeiro e agosto de 2019, face ao mesmo período de 2018.

O Brasil registou 4.935 focos de queimadas na Amazónia brasileira nos oito primeiros dias de setembro, informou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que revela que desde o início do ano os incêndios aumentaram 47%.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, incluindo territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

O Inpe anunciou que a desflorestação da Amazónia aumentou 222% em agosto, em relação ao mesmo mês de 2018.

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