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Sá Carneiro tinha planeado ir ao Porto no avião da RAR

A secretária de Sá Carneiro à data da queda do avião em Camarate, Isabel Veiga de Macedo, revelou hoje que o ex-primeiro-ministro tinha planeado viajar no avião da RAR e que reservou lugares na TAP apenas como prevenção.

Sá Carneiro tinha planeado ir ao Porto no avião da RAR
Notícias ao Minuto

15:45 - 14/11/13 por Lusa

País Camarate

Isabel Veiga de Macedo afirmou não ter "dúvida nenhuma" de que a marcação de dois lugares no voo regular da TAP Lisba/Porto era apenas "uma forma de garantir que pudessem ir caso estivesse mau tempo" porque "um avião da TAP aterra mais facilmente que um pequeno.

De acordo com Isabel Veiga de Macedo, a reserva de lugares por avião "onde houvesse" era um "procedimento habitual" do então primeiro-ministro para prevenir eventuais impedimentos.

"Mesmo se fosse uma viagem de carro, ele pedia `reserve o avião também´", contou Isabel Veiga de Macedo, que nunca foi ouvida pelas autoridades judiciárias e foi hoje pela primeira vez ouvida no Parlamento, na X comissão de inquérito ao caso Camarate.

O filme dos acontecimentos do dia 04 de dezembro de 1980 feito pela antiga secretária revela que Sá Carneiro tinha previsto usar o avião posto à disposição pela RAR (Refinaria Açúcar Reunidos, do empresário João Macedo Silva).

"O avião da RAR estava combinado porque a RAR se ofereceu para o vir buscar, para o levar ao Porto e para o trazer na mesma noite, no fim do comício [da campanha presidencial do candidato Soares Carneiro]", disse.

A mudança de planos surgiu após a reunião do Conselho de Ministros. Isabel Veiga de Macedo relatou que o então ministro da Defesa, Amaro da Costa, lhe disse, à entrada para a reunião, em S. Bento, "que tinha outro avião, que se oferecia para os levar e aproveitavam e conversavam pelo caminho".

Tratava-se de uma "reunião restrita" do Conselho de Ministros, apenas com a presença do primeiro-ministro, do ministro da Defesa, do ministro das Finanças, Cavaco Silva, e das chefias militares, disse.

No final da reunião, ao início da tarde, Sá Carneiro deu instruções à secretária para contactar Francisco Pinto Balsemão no Porto e dizer-lhe que "não é preciso o avião" da RAR.

Nem Sá Carneiro, nem ninguém no gabinete sabia que o avião já estava em Lisboa, confirmou Isabel Veiga de Macedo, adiantando que conseguiu contactar Pinto Balsemão num restaurante, "O Garrafão", e que lhe transmitiu o recado de que o avião já não seria necessário, não tendo recebido qualquer informação por parte de Balsemão.

As instruções para anular as duas reservas na TAP foram-lhe dadas por Sá Carneiro cerca das 18:30/19h, que lhe telefonou de sua casa para S. Bento, onde ainda estava a trabalhar, relatou.

Isabel Veiga de Macedo telefonou para a TAP cerca de "meia-hora antes" do voo, disse.

A mudança de planos, depois da reunião do Conselho de Ministros, determinou que ficassem em terra, por falta de espaço, duas pessoas que deviam acompanhar Sá Carneiro ao Porto, Madalena Fragoso, do gabinete do primeiro-ministro, e o chefe Inácio Costa, da segurança.

Na audição, o deputado Ribeiro e Castro apontou a "incompetência" da investigação judicial, frisando que grande parte do processo está assente na tese de que o primeiro-ministro teria planeado viajar na TAP e que só "à última da hora" optou pelo Cessna que veio a cair. Questionada pelo PSD sobre os motivos que decidiram a ida ao Porto na noite de 04 de dezembro, Isabel Veiga de Macedo disse que a decisão de ir ao Porto foi tomada "uns dias antes".

"Nós não sabíamos porque é que ia ou não ia", disse, adiantando que "corria no gabinete" que Sá Carneiro havia decidido "dar a cara com a Snu", depois de "umas frases menos felizes" proferidas uns dias pelo "dr. Mário Soares e pela dra. Maria Barroso" sobre a "situação marital" de Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis.

Considerando que "ficou tudo por explicar" sobre a queda do avião, a antiga secretária, revelou ainda que no dia a seguir à queda do avião, em S. Bento, foi abordada por "um rapaz" que lhe disse que tinha informações.

"Eu respondi-lhe que estavam ali as autoridades, a polícia, isso não era comigo, encaminhei-o", acrescentou, referindo não saber se o rapaz foi ou não ouvido.

A X comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as "causas e circunstâncias em que, no dia 04 de dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes".

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