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Falta de efetivos nas Forças Armadas? Não é "uma realidade nova"

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, realça num artigo de opinião publicado hoje no Público que estão a ser implementadas medidas e outras estão em curso para resolver "a qualidade e quantidade de efetivos" nas Forças Armadas.

Falta de efetivos nas Forças Armadas? Não é "uma realidade nova"

No texto, o ministro da Defesa lembra que as "dinâmicas subjacentes à redução de efetivos nesta década são complexas e multifacetadas", destacando ser importante existir a "prazo, um melhor conhecimento por parte da sociedade portuguesa daquilo que são as Forças Armadas".

"Não há soluções prontas para questões sociais profissionais complexas. Aquilo que hoje sabemos permite toda a confiança no futuro das nossas Forças Armadas. Há muito trabalho em curso, e muito trabalho pela frente na prossecução dos objetivos e na realização das medidas, mas é com serenidade e determinação e coesão que devemos avançar. Este é o momento de pôr mãos à obra", escreve o ministro.

Este artigo do ministro surge dias depois de uma entrevista do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, à Rádio Renascença e ao Público, na qual disse que a situação nas Forças Armadas "é insustentável" devido à falta de efetivos.

No entendimento de João Gomes Cravinho, "o debate público quanto ao número de militares que hoje servem nas Forças Armadas é uma excelente oportunidade para dar a conhecer as soluções que estão a ser desenvolvidas".

Por isso, lembra que a questão de falta de efetivos nas Forças Armadas não é "uma realidade nova", salientando que os números baixaram todos os anos entre 2012 (31.143) e 2017 (25.025).

Em 2018, segundo o ministro, verificou-se uma recuperação para 26.545, sendo ainda cedo para prognósticos em 2019.

João Gomes Cravinho refere que não se pode compreender os números sem olhar para o recrutamento e para os níveis de retenção dos militares nas fileiras.

O ministro reconhece também "a complexidade e multiplicidade de fatores como o distanciamento da sociedade face às Forças Armadas". "Foi com base neste duro retrato que o Ministério da Defesa Nacional delineou, em estreita ligação com os três ramos, uma estratégia coerente e ambiciosa para um horizonte de cinco anos, assente em 34 medidas, traduzidas em 121 ações, metas, indicadores de monitorização, datas e entidades responsáveis", salienta o ministro, referindo-se ao Plano de Ação para a Profissionalização.

Segundo João Gomes Cravinho, a implementação de boa parte das medidas está na alçada do Estado-Maior-General das Forças Armadas e dos ramos.

Algumas das medidas, de acordo com o ministro, são "relativamente fáceis e imediatas, outras mais complexas, exigindo um período de maturação mais prolongado".

Na opinião do ministro, este é o caminho "que já se começou a trilhar - é reformar o atual contexto profissional" das Forças Armadas em torno de três eixos: recrutar, reter, reinserir".

Em resposta à entrevista do almirante Silva Ribeiro, o ministro da Defesa disse, poucos dias depois, que o papel do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas é assegurar que as missões sejam cumpridas e que, se o almirante "chegasse à conclusão que não pode cumprir essas missões, então sairia".

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