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Homicídio de professora. Alegações finais adiadas para sexta-feira

Suspeitos do crime falaram, esta terça-feira, pela primeira vez, em tribunal.

Homicídio de professora. Alegações finais adiadas para sexta-feira

A advogada de Defesa de Diana Fialho, falou aos jornalistas, esta terça-feira, à saída do Tribunal de Almada, onde decorreu a segunda parte da segunda sessão do julgamento do homicídio da professora Amélia Fialho e confirmou que as alegações finais foram adiadas para a tarde de sexta-feira, dia 12.

Apesar de o juiz ter a intenção de terminar o julgamento já hoje, isso não aconteceu porque, segundo Tânia Reis, ainda está a decorrer o prazo para os advogados se pronunciarem sobres os relatórios sociais e porque há uma testemunha, uma assistente social que acompanhou "toda a infância de Diana, desde a escola primária até ao momento em que é adotada", que ainda não foi possível “notificar em tempo útil” e que, a advogada considera, ser um depoimento "imprescindível".

“Ainda está a decorrer o prazo para nos pronunciarmos sobre os relatórios sociais, temos 10 dias. Estes relatórios sociais foram juntos na última audiência, anterior a esta, dia 4 de julho. O prazo termina a 14. Não foram diferidas as perícias psiquiátricas que nós requeremos. Portanto, seria importante ter essas perícias, uma vez que não foram deferidas e nós ainda temos tempo para requerer, nem que sejam alguns esclarecimentos às técnicas que elaboraram os relatórios”, explicou Tânia Reis aos jornalistas.

A sessão de julgamento da tarde desta terça-feira ficou ainda marcada pelas declarações de Diana Fialho e Iuri Mata. Os suspeitos da morte de Amélia Fialho falaram hoje, pela primeira vez, em tribunal.

Diana Fialho, filha adotiva da professora assassinada, deu conta que teve "internamento psiquiátrico aos 14 e aos 18 anos", primeiro devido à "grande depressão pelo falecimento da avó" e, mais tarde, por não "estar a conseguir tirar o curso", passando a tomar medicação até aos 20 anos.

"Tinha muito boa relação com a minha avó. Passei muito mal porque era com a minha avó que eu passava mais tempo, a minha mãe estava sempre a trabalhar", referiu.

Já Iuri Mata, apesar de o advogado ter dito que o seu constituinte "não está e condições, nem se lembra da data de hoje", respondeu a todas as perguntas do juiz, indicando os locais onde trabalhou, vencimentos e quem o tem visitado na prisão.

Na parte da manhã, uma colega e amiga de Amélia Fialho disse que os problemas com a filha adotiva da vítima iniciaram-se quando Diana Fialho começou a namorar com Iúri Mata e que achou estranho uma das declarações do arguido, aquando o desaparecimento.

"Lembro-me do Iúri me perguntar, 'se ela tiver mesmo desaparecido como é que chegamos às coisas dela?' e, naquela altura, fiquei triste. A Diana estava presente, mas não consegui ver o rosto dela, nem se fez algum gesto. Caiu-me a ficha, eu numa situação daquelas estaria a chorar", referiu.

Já a psiquiatra de Iúri Mata, Maria Esteves, que foi consultada pelo arguido em 2016, informou que nesse período o arguido estava com uma "depressão intensa" devido a problemas com o pai e a pressão nos estudos.

No entanto, indicou que apesar de o pai do arguido ter "manifestações psicóticas", na altura não se manifestava no Iúri.

Os restantes cinco testemunhos nesta sessão, familiares ou amigos do arguido, manifestaram que Iúri Mata era uma pessoa "simpática, sociável e estudiosa", incluindo a mãe, que se emocionou.

O julgamento iniciou-se em 4 de julho e ambos os arguidos remeteram-se ao silêncio, apesar de o advogado de Iúri Mata ter esclarecido que o seu cliente não estava em condições de o fazer "por esta sob efeito de forte medicação".

A primeira sessão ficou marcada pelo depoimento da inspetora da Polícia Judiciária (PJ), Fátima Mira, que participou na investigação do crime e garantiu que foi Iúri Mata que ajudou a "fazer o reconhecimento e reconstituição do crime, por se encontrar "arrependido na altura".

Diana Fialho e Iúri Mata estão acusados pelo Ministério Público (MP) pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver.

Segundo o despacho de acusação do MP, os arguidos "gizaram um plano para matar Amélia Fialho, de 59 anos, e, ao jantar, colocaram fármacos na bebida da vítima que "a puseram a dormir", tendo desferido "vários golpes utilizando um martelo", que causaram a morte da professora.

Após o homicídio, relata a acusação, os arguidos embrulharam o corpo e colocaram-no na bagageira de um carro, deslocando-se até um terreno agrícola, em Pegões, no Montijo, onde, com recurso a gasolina, "atearam fogo ao cadáver".

Foi em 07 de setembro de 2018 que a filha adotiva e o genro da vítima foram detidos e presentes a tribunal, o qual decretou a medida de coação de prisão preventiva. A arguida está no Estabelecimento Prisional de Tires, enquanto o homem no do Montijo.

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