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"Militares portugueses fazem a diferença na República Centro Africana"

O ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, afirmou que os militares portugueses na República Centro-Africana (RCA) têm "feito a diferença", referindo que foram essenciais para o acordo de paz que foi assinado no país.

"Militares portugueses fazem a diferença na República Centro Africana"

"É sempre um grande orgulho ouvir falar das nossas Forças Armadas, porque fazem a diferença. As Forças Armadas Portuguesas, quer no âmbito da missão das Nações Unidas, com a Força de Reação Rápida, que no âmbito da missão da União Europeia, que é a missão de formação das Forças Armadas da RCA, estão a fazer um trabalho exemplar", disse o ministro.

O ministro da Defesa defendeu que a Força de Reação Rápida portuguesa na RCA consegue impor a autoridade das Nações Unidas nos locais onde é chamada a intervir.

"Têm feito a diferença e continuam até que esta missão faça sentido. A presença desta força foi fundamental para levar certos grupos armados a compreender que não tinham futuro se continuassem a apostar na instabilidade e na violência, obrigando-os a ir para a mesa das negociações", disse, explicando que o seu papel foi decisivo no acordo de paz celebrado em fevereiro.

Em relação à missão portuguesa da União Europeia, destacou que já foram formados cerca de quatro mil militares, referindo que "um país sem Forças Armadas não pode impor a autoridade do Estado".

Nesta visita à RCA, o ministro assistiu à transferência do comando da Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), de Portugal para a França, depois de 18 meses de liderança do general Hermínio Maio.

Para além de participar na cerimónia, o ministro da Defesa realizou um conjunto de reuniões bilaterais, com a ministra da Defesa da RCA, Marie-Noëlle Koyara, com o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas, Mankeur Ndiaye, bem como com o Presidente da República Centro Africana, Faustin-Archange Touadera, para além de contactos com os militares portugueses.

Numa coluna militar, acompanhada por veículos com capacidade de resposta a qualquer ocorrência, João Gomes Cravinho percorreu as ruas da movimentada capital da RCA, Bangui, onde os motociclos são uma constante e a circulação por vezes é caótica.

"O passado é preocupante, porque vários acordos de paz não foram cumpridos, mas isso não quer dizer que devemos desistir. O Acordo de Cartum parece uma base apropriada para o caminho para uma paz duradoura. As violações do acordo de paz começam a sair caras aos grupos armados", destacou.

A ministra da Defesa da RCA, Marie-Noëlle Koyara, agradeceu ao seu homologo português o trabalho dos militares.

"Quero agradecer ao meu colega. Portugal é um país amigo e é importante ter aqui o contingente português para ajudar o meu país. Quero felicitar o trabalho da Força de Reação Rápida portuguesa", defendeu.

Antes de abandonar o país, o ministro português ainda tirou a foto de grupo com o grupo de militares e deixou a garantia aos militares que o Governo "não vai deixar cair" o soldado ferido na RCA, garantido que é importante criar condições para que tenha uma vida "preenchida e realizada".

"O soldado português que foi ferido tem sido seguido. Eu já o visitei duas vezes, o Chefe-Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) e o Chefe-Estado Maior do Exército (CEME) também o visitaram, mas o importante não é só estas visitas. O importante é criar condições para que tenha vida preenchida e realizada", disse o ministro.

João Gomes Cravinho salientou que o Governo está a trabalhar em "várias frentes" e garantiu um emprego nas Forças Armadas para Aliu Camará, de 23 anos.

"Vamos trabalhar na recuperação física, irá em breve para a Alemanha para o acompanhamento médico. Obviamente tem direito a indemnizações, mas o mais importante é que vamos criar condições para que tenha emprego no futuro. O soldado Camará, os seus camaradas em Bangui, as Forças Armadas e a população portuguesa devem saber que nós não vamos deixar cair o Aliu Camará", frisou.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de fevereiro pelo Governo da RCA e por 14 grupos armados. Um mês mais tarde, as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general Marcos Serronha, onde agora tem a 5.ª Força Nacional Destacada (FND) e está presente na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA).

A 5.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares do Exército, na sua maioria elementos dos Comandos (22 oficiais, 44 sargentos e 114 praças, das quais nove são mulheres), e três da Força Aérea.

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