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"Eu nunca na minha vida corrompi ninguém", garante Ricardo Salgado

O antigo banqueiro revela que o juiz não lhe colocou, esta segunda-feira, qualquer questão sobre Carlos Santos Silva.

"Eu nunca na minha vida corrompi ninguém", garante Ricardo Salgado

O antigo banqueiro Ricardo Salgado, um dos principais arguidos da Operação Marquês, garantiu, na tarde desta segunda-feira, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, que "nunca" corrompeu ninguém e que, o juiz não lhe fez, hoje, nenhuma questão sobre os alegados pagamentos a Carlos Santos Silva.

"Fui chamado para falar sobre um assunto em específico e foi isso sobre o que falei. Não falei de inocência nem que nada fiz. O que eu posso garantir, e já disse isso várias vezes, sempre que me falaram que andei a corromper este ou aquele, é que eu nunca na minha vida corrompi ninguém", declarou à saída do tribunal, onde foi interrogado pelo juiz Ivo Rosa nesta que é a fase de instrução da Operação Marquês.

Na sessão desta segunda-feira, Ricardo Salgado foi questionado sobre um alegado contrato que assinado entre Zeinal Bava, na altura um dos líderes da Portugal Telecom (PT), e o ex-presidente do BES, agora arguido.

"Fui chamado para falar sobre as relações e o contrato [com Zeinal Bava]. Foi o que eu falei, esclareci tudo em tribunal", declarou aos jornalistas Ricardo Salgado, aproveitando para salientar que, no seu depoimento, "não há discrepâncias" com o que Zeinal Bava declarou sobre este assunto na sua inquirição, na semana passada.

Já sobre os pagamentos que, alegadamente, foram feitos a Carlos Santos Silva, o antigo banqueiro apenas disse que não lhe foi colocada nenhuma questão sobre esse assunto e que "esse nome nem teve em cima da mesa", assim como o nome do ex-primeiro-ministro José Sócrates.

Fonte ligada ao processo Operação Marquês revelou, entretanto, que o depoimento de Ricardo Salgado coincidiu com o de Zeinal Bava sobre um contrato com a PT, no valor de 25,2 milhões de euros, que foi formalizado em 2010, mas vinha sendo falado desde 2006 relativo a fundos fiduciários.

Ricardo Salgado, segundo a mesma fonte, alegou que entregou esses fundos fiduciários a Zeinal Bava para comprar ações da PT.

A mesma fonte adiantou que esses fundos, na versão de Ricardo Salgado, terão sido pagos em três tranches: uma de 6,7 milhões, outra de 8,5 milhões e outra de 10 milhões de euros.

A fonte acrescentou ainda que Ricardo Salgado não quis falar nem de José Sócrates nem do negócio com a empresa de telecomunicações brasileira VIVO.

No processo Operação Marquês, o Ministério Público questiona, entre outras matérias, a eventual influência de Ricardo Salgado junto do Governo de José Sócrates em negócios que tiveram a participação do Grupo Espírito Santo (GES), tais como a contestação à OPA da Sonae sobre a PT em 2006/2007, a cisão da PT Multimédia, a venda da Vivo à Telefónica em 2010 e a compra de 22,28% do capital da Oi por parte da PT.

Ricardo Salgado foi acusado da prática dos crimes de corrupção ativa de titular de cargo político, corrupção ativa, branqueamento de capitais, abuso de confiança, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada.

A Operação Marquês conta com 28 arguidos - 19 pessoas e nove empresas - e está relacionada com a prática de mais de uma centena e meia de crimes de natureza económico-financeira.

José Sócrates está acusado de crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no GES e na PT, bem como garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Na Operação Marquês foram ainda acusados, entre outros, o empresário Carlos Santos Silva (apontado como "testa de ferro" de Sócrates), o ex-administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca, Zeinal Bava, ex-presidente executivo da PT, Armando Vara, antigo deputado e ministro e ex-administrador da CGD, Henrique Granadeiro (ex-gestor da PT) e José Paulo Pinto de Sousa (primo de Sócrates).

O processo foi investigado durante mais de três anos, culminado com uma acusação com cerca de quatro mil páginas, tendo a fase de instrução, dirigida pelo juiz Ivo Rosa, tido início em janeiro, devendo prolongar-se durante todo o ano de 2019.

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