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RCA: Apoio logístico a missão das Nações Unidas cumpre os objetivos

O apoio logístico proporcionado pelas Nações Unidas cumpre a sua missão na República Centro-Africana, apesar de as condições serem "extremamente adversas", disse à Lusa o general Carlos Branco, que esteve no terreno a realizar uma inspeção para o organismo.

RCA: Apoio logístico a missão das Nações Unidas cumpre os objetivos
Notícias ao Minuto

07:59 - 07/07/19 por Lusa

País General

O general português na reserva foi convidado pelas Nações Unidas para fazer uma inspeção ao apoio logístico proporcionado pela comunidade internacional aos contingentes na RCA, sendo as áreas mais importantes a alimentação, água, combustíveis, comunicações e engenharia, apesar de existirem muitas outras.

A Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA) começou em 2014 e tem no país mais de 12.500 elementos com uniforme, entre militares e polícias.

"O balanço geral é extremamente positivo. Existem questões que devem ser melhoradas e problemas que devem ser mitigados, mas de uma forma geral a minha avaliação é muito positiva", disse o general em declarações à agência Lusa.

Carlos Branco, que esteve 15 dias no terreno e percorreu todo o país, salientou que as condições em que é prestado o apoio logístico são adversas, lembrando que em grande parte da RCA, que tem quase a dimensão da França, não existem estradas.

"As condições em que se proporciona o apoio logístico são extremamente adversas, pela inexistência de uma rede rodoviária, o que dificulta imenso a deslocação de viaturas para fornecer água, combustível ou rações de combate, mas também pela meteorologia. Na época das chuvas, muitas estradas estão impraticáveis e o apoio tem de ser efetuado pela via aérea o que, tendo em conta a dimensão do país, representa um enorme esforço, até a nível financeiro", frisou.

O general português lembrou ainda que muitos dos comboios da ajuda humanitária e comboios logísticos são assaltados durante os percursos que efetuam.

"A dimensão do território é enorme e é difícil proporcionar segurança. Muitos dos comboios são longos, com várias viaturas, e muitas das vezes está uma viatura a ser assaltada e é difícil que as forças de segurança cheguem a tempo de o evitar", defendeu.

Carlos Branco vai mencionar no seu relatório recomendações ao nível do apoio logístico, de modo a tentar resolver ou mitigar os problemas detetados.

"Muitas das recomendações não têm a ver com qualidade do desempenho da componente de apoio logístico, mas com um uma série de regras de funcionamento das missões que são determinadas por Nova Iorque. É neste domínio que tem de haver alguma reflexão, ela está a existir, porque Nova Iorque está muito atenta ao que existe no terreno, propondo recomendações, alterando normas e procedimentos, mas ainda existe um trabalho importante a fazer neste domínio", defendeu.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O Governo centro-africano controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

O acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de fevereiro pelo Governo da RCA e por 14 grupos armados. Um mês mais tarde, as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da MINUSCA, cujo 2.º comandante é o major-general Marcos Serronha, onde agora tem a 5.ª Força Nacional Destacada (FND) e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), que é comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

A 5.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares do Exército, na sua maioria elementos dos Comandos (22 oficiais, 44 sargentos e 114 praças, das quais nove são mulheres), e três da Força Aérea.

O general Carlos Branco assumiu vários cargos internacionais, tendo servido nas Nações Unidas, nos Balcãs, na EUROFOR e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ao serviço das Nações Unidas desempenhou funções no Médio Oriente, tendo assumido o cargo de porta-voz do comandante da Força Internacional de Assistência para Segurança (ISAF na sigla em inglês), no Afeganistão.

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