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"A melhor homenagem possível é a leitura da obra de António Hespanha"

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, lamentou hoje a morte do historiador António Manuel Hespanha, escrevendo, na sua conta pessoal no Twitter, que "a melhor homenagem possível é a leitura da sua obra".

"A melhor homenagem possível é a leitura da obra de António Hespanha"
Notícias ao Minuto

21:16 - 01/07/19 por Lusa

País Óbito

"Sentidas condolências pelo falecimento do professor António Manuel Hespanha. A melhor homenagem possível é a leitura da sua obra. Estou a meio de 'Filhos da Terra', recentemente publicado, que rasga horizontes novos para a historiografia de Portugal no mundo", escreveu autor de "Visões do Mundo", doutorado em Ciência Política, ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação.

O historiador António Manuel Hespanha morreu hoje, aos 74 anos, em Lisboa, confirmou à agência Lusa a editora Bárbara Bulhosa, da Tinta-da-China, chancela que editou este ano a sua obra "Filhos da Terra".

A penalista e professora catedrática Teresa Pizarro Beleza, em reação à morte do "amigo e grande historiador e jurista", lembrou na sua conta no Facebook que António Manuel Hespanha "sabia imenso de muitíssimas coisas, entre elas Direito; basta ler a sua notabilíssima obra para se perceber como a dupla formação de jurista e historiador tornou, com o seu enorme talento, possíveis as investigações inovadoras que levou a cabo e que incentivou".

O professor universitário José Adelino Maltez, investigador de ciência política, lembrou que foi assistente de António Hespanha, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

"Lutou pelas suas ideias cívicas até ao último minuto de vida. Aprendi com ele a distinguir a comunhão universitária das divergências ideológicas. E mantivemos as nossas eternas polémicas (...) Um grande abraço, foram as últimas palavras que lhe dediquei. Aprendi com ele o que era o estudo, o vigor e o rigor", escreveu José Adelino Maltez, na sua página no Facebook.

O investigador e politólogo António Costa Pinto, por seu lado, recordou "um grande jurista e historiador português".

"Tenho pena que a sua obra, com grande impacto na Alemanha, Europa do Sul e América Latina, particularmente no Brasil, não tenha tido maior difusão", escreveu António Costa Pinto na rede social Facebook. "Esperemos [o seu último livro] e outras obras" de António Hespanha "tenham a difusão que merecem".

O historiador António Manuel Hespanha nasceu em 1945, em Coimbra, cidade onde se licenciou em Direito, em 1967, obtendo posteriormente o doutoramento em História e Política Institucional Europeia, tendo defendido a tese "As Vésperas do Leviathan", sobre o sistema de poderes das monarquias tradicionais europeias.

Docente e investigador, comissário-geral para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses entre 1997 e 2000, é definido pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento sobre Direito e Sociedade da Universidade Nova de Lisboa (CEDIS), como "o historiador português mais citado internacionalmente" e "um dos nomes mais importantes no estudo da história institucional e política dos países ibéricos".

Autor de mais de duas dezenas de livros e de mais de centena e meia de artigos científicos.

Em "Filhos da Terra. Identidades Mestiças nos Confins da Expansão Portuguesa", que publicou no passado mês de fevereiro, António Manuel Hespanha procurou "reunir e tratar conjuntamente elementos para a análise daquilo a que se vem chamando, desde há uns anos, o 'império sombra' dos portugueses, ou seja aquele conjunto de comunidades que, fora das fronteiras formais do império, sobretudo na África e na Ásia, se consideravam como 'portugueses' -- qualquer que fosse o sentido disso".

"Falamos muitas vezes no impacto que as viagens dos portugueses tiveram na história do mundo, mas raramente damos a palavra ao 'mundo' para falar delas. Mesmo as vozes de outros europeus sobre a expansão portuguesa estão muito pouco presentes no que contamos acerca delas", disse então o historiador à Lusa.

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