Meteorologia

  • 04 MARçO 2024
Tempo
13º
MIN 10º MÁX 17º

Obra da artista Irma Blank pretende "atingir um sentido universal"

Mais de 60 anos da carreira artística de Irma Blank, desde os desenhos iniciais com a escrita, à exploração da cor, pretendem "atingir um sentido universal", segundo as curadoras da exposição que é inaugurada na sexta-feira, em Lisboa.

Obra da artista Irma Blank pretende "atingir um sentido universal"
Notícias ao Minuto

14:09 - 27/06/19 por Lusa

País Culturgest

Este objetivo da artista alemã, atualmente com 85 anos, a residir em Milão, Itália, atravessa toda a sua obra, cuja retrospetiva pode ser vista na Culturgest até 8 de setembro, e seguirá depois em digressão para mais sete instituições culturais.

"É a concretização de um sonho", comentou Delfim Sardo, programador da área das artes plásticas da Culturgest, durante uma visita guiada para os jornalistas da exposição "Blank", sublinhando a importância da exposição que dá a ver desde as obras iniciais até às mais recentes, de 2017.

Pintora e escritora, grande apaixonada pela literatura, Irma Blank - que estará em Lisboa para a inauguração da mostra - começou a fazer experiências criativas com a escrita na sequência da mudança do seu país natal, a Alemanha, para o país do seu marido, Itália, em 1955.

"Deste conflito interior nasceu a necessidade de comunicar sem palavras com as pessoas em seu redor", contextualizaram as curadoras Johana Carrier e Joana P.R. Neves, na visita.

É a primeira série de trabalhos, "Eigenschriften" ("auto escritos" ou "escritos por si própria"), do final da década de 1960, que abre a exposição desta artista que começou por trabalhar na área da poesia visual.

Nessa primeira sala, no espaço expositivo da Culturgest, os visitantes vão deparar-se com outro elemento importante para a criadora: o som do seu processo de trabalho, que Irma gravou e estará presente noutras salas da mostra.

Na obra de Irma Blank, "há todo um ciclo sensorial que passa pelo desenho em forma de escrita, o som, os livros que criou porque tinha necessidade de ter o objeto em papel para tocar".

A autora criou dezenas de livros à mão, em vários formatos, que reúnem o seu trabalho meticuloso inspirado na escrita, e em obras de alguns escritores, como Simone Weil.

Outro aspeto importante na obra da artista, segundo as curadoras, "é a parte espiritual, meditativa do processo de trabalho, em que tenta libertar-se de tudo, sobretudo do significado da escrita, para representar o mundo".

No entanto, nos anos 1990, Irma Blank - nascida em Calle, na Alemanha, em 1934 - inventou um alfabeto que é apresentado em algumas telas nesta exposição, e também introduziu a cor, em obras de grande formato.

Ao longo das décadas, Irma, que descobriu, por ter mudado de país e de cultura, que "não existe a palavra certa", usou o seu próprio corpo, gestos, presença e respiração, como ferramentas criativas.

Depois de várias fases de vida e de expressões artísticas, em 2016, na sequência de um problema de saúde que lhe paralisou o lado direito do corpo, aprendeu a desenhar com a mão esquerda, o que conduziu a uma nova série na qual continua a trabalhar, intitulada 'Gehen, Second Life' ('Seguir em frente, segunda vida", em tradução livre), iniciada em 2017.

O título da exposição, 'Blank', é um jogo de palavras com o apelido da artista, pegando na palavra "blank" que reflete, quer em alemão, sua língua-mãe, quer em inglês, a sua dedicação a um processo minimalista de escrever sem palavras.

'Eigenschriften' (1968--1973), 'Trascrizioni' (1973--1979), 'Gehen, Second life', 'Radical Writings' (1983--1996), 'Avant-testo' (1998-2006), e 'Global Writings' (2000-2016) são algumas das séries que poderão ser vistas em sete salas da mostra.

A retrospetiva - que tem como instituição produtora original a Culturgest - irá iniciar, depois de setembro, uma itinerância até 2021, em seis museus, assumindo diferentes configurações em cada nova apresentação.

'Blank' passará pelo Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Genebra, na Suíça (de outubro 2019 até fevereiro de 2020), seguindo-se o Museu de Arte Contemporânea de Bordéus, em França (primavera de 2020), o Centro de Arte Contemporânea de Telavive, em Israel (verão de 2020), o Instituto de Arte Contemporânea de Milão, em Itália (primavera de 2021), o Museo Villa dei Cedri, em Bellinzona, na Suíça (verão de 2021), e o Bombas Gens Centre d'Art, em Valência, Espanha (outono de 2021).

O catálogo da exposição - que tem a chancela Walther König - é da autoria das curadoras, de Douglas Fogle e Miriam Schoofs, e inclui uma entrevista do curador, crítico e historiador de arte Hans Ulrich Obrist à artista.

Recomendados para si

;
Campo obrigatório