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Pulido Valente exige esclarecimento sobre falta de anestesistas

Doze médicos dirigentes de serviços e unidades do Hospital Pulido Valente manifestaram apreensão e receio relativamente à falta de anestesistas em presença física ao fim de semana, pedindo um esclarecimento cabal da medida com que foram surpreendidos.

Pulido Valente exige esclarecimento sobre falta de anestesistas
Notícias ao Minuto

15:37 - 17/06/19 por Lusa

País Dirigentes

Depois de no sábado um dos coordenadores do Hospital Pulido Valente ter alertado para a falta de anestesistas em presença física na instituição, um grupo de doze médicos coordenadores e diretores escreveu uma carta ao diretor clínico do Centro Hospitalar Lisboa Norte onde lamentam a ausência de justificação e de comunicação sobre esta medida e pedem "um esclarecimento cabal da situação" para os profissionais e utentes.

Os médicos receiam que a falta de presença física de anestesistas ao fim de semana "não seja compatível com o tempo de resposta e a diferenciação que a gravidade e a complexidade dos doentes exigem".

No domingo, a administração do Centro Hospitalar, que integra Santa Maria e Pulido Valente, divulgou um comunicado garantindo que, em caso de necessidade, será chamado um profissional de prevenção (a menos de 30 minutos de distância), e indicando que "as necessidades assistenciais ao fim de semana são distintas da realidade dos dias úteis".

Os médicos recusam o uso de "indicadores pontuais de taxa de ocupação" ao fim de semana como argumento para justificar a medida e recordam que os serviços de cirurgia torácica e a unidade de cuidados intensivos médico-cirúrgicos "estão abertos ao exterior" e recebem doentes urgentes de toda a zona sul do país.

"É redutor presumir que não haja atividade cirúrgica ao fim de semana", escrevem na carta endereçada ao diretor clínico e a que a agência Lusa teve acesso.

O grupo de 12 médicos com funções de coordenação vem reafirmar a sua apreensão e pedir que se esclareça se a decisão de não ter anestesistas na escala, em presença física, ao fim de semana é "pontual ou para aplicar sistematicamente" a partir de agora.

Criticam ainda a "ausência de justificação e falta de comunicação" desta medida.

"Nenhum serviço ou unidade do Hospital Pulido Valente foi informado da ausência de anestesistas durante o fim de semana. Não foi discutido nem avaliado o impacto desta decisão e não foi emitido nenhum comunicado oficial a esclarecer desta mudança e como proceder em caso de necessidade, nomeadamente na substituição dos anestesistas no contexto da equipa de reanimação interna e articulação com os outros membros da equipa", escrevem os coordenadores do Hospital Pulido Valente.

A carta é assinada por 10 coordenadores de unidades do Pulido e ainda por dois diretores de serviço, o de Cirurgia Torácica e de Medicina III.

No sábado, médicos do Hospital Pulido Valente foram surpreendidos com a falta de anestesistas na escala do fim de semana, mostrando preocupação com o impacto da decisão nos doentes internados.

O coordenador da unidade de Cuidados Intensivos Médico-Cirúrgicos do Departamento do Tórax escreveu à diretora do Departamento a manifestar preocupação com o impacto na qualidade assistencial e na segurança dos doentes internados.

No e-mail, a que Lusa teve acesso, o médico Filipe Froes expressava ainda indignação pela ausência de anestesistas em presença física sem que tenha havido debate e avaliação do impacto da medida e recorda que o hospital é o maior centro do país de cirurgia torácica, de oncologia pneumológica e de insuficiência respiratória.

O médico recordava que a equipa de anestesia é responsável pela equipa de reanimação no Hospital e assume "funções críticas no âmbito da cirurgia de urgência/emergência", considerando que há funções que não são possíveis de assegurar em regime de prevenção e sem a presença física dos profissionais, sobretudo porque "não foi assegurada uma alternativa que não comprometesse a vida dos doentes".

Filipe Froes indicava também que o Pulido Valente é um Hospital Central e universitário -- integrado no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), considerando que é mais "uma perda significativa para CHULN e para o SNS".

Em reposta, no domingo, a administração do CHULN disse entender as preocupações do médico e explicou depois, em comunicado, que estão no Pulido Valente, em permanência, quatro a cinco médicos para assegurar a assistência aos doentes internados nos serviços de Pneumologia, Medicina Interna, Cirurgia Torácica e Unidade de Cuidados Intensivos Médico-Cirúrgicos.

"Estes clínicos, que incluem médicos das especialidades de Pneumologia e Medicina Interna, bem como um especialista na Unidade de Cuidados Intensivos, têm diferenciação e experiência para proporcionar a resposta atempada às situações de urgência/emergência dos doentes internados e, se necessário, serão coadjuvados por anestesiologista chamado para o efeito", a menos de 30 minutos de distância, alega o Centro Hospitalar.

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