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Português Edir da Costa morreu sufocado com pacotes de droga em Londres

Um inquérito judicial ao óbito do português Edir da Costa, no Reino Unido, durante uma operação policial em 2017, concluiu hoje que a morte foi um acidente infeliz causado por sufocação com embalagens de plástico que continham droga.

Português Edir da Costa morreu sufocado com pacotes de droga em Londres

O júri decretou que a causa da morte de Edir da Costa foi encefalopatia hipóxico-isquémica, causada por uma via aérea bloqueada, como consequência de paragem cardiorrespiratória.

Determinou ainda que as vias respiratórias do português ficaram obstruídas devido a 88 embalagens de plástico com droga que colocou na boca, das quais 20 a 30 terão caído posteriormente.

A conclusão foi alcançada por uma maioria de nove entre 11 membros do júri após cinco semanas em que foram interrogadas cerca de 30 testemunhas, desde próximos de Edir da Costa, conhecido por Edson, a médicos, agentes de polícia e especialistas independentes.

O inquérito judicial é um procedimento feito no Reino Unido sempre que é registada uma morte sem causas naturais para apurar as causas e circunstâncias.

A magistrada responsável pela zona leste da Grande Londres, Nadia Persaud, disse vai fazer posteriormente uma conclusão por escrito sobre outros aspetos levantados durante o inquérito, como o treino dos polícias para o risco de sufoco, a identificação de problemas respiratórios, formas de controlar suspeitos e como melhorar o entendimento com o serviço de ambulância.

Edir Frederico da Costa, de 25 anos, foi detido por agentes do Serviço de Polícia Metropolitana (MPS) em Newham, por volta das 22:00 no dia 15 de junho de 2017, quando cinco agentes mandaram parar o automóvel onde estava o português.

Para o conseguir o controlar e deter, os polícias usaram algemas e gás pimenta, o que fez Edir da Costa perder os sentidos, mas os primeiros socorros só foram realizados por uma segunda equipa de agentes.

O português de 25 anos foi hospitalizado e permaneceu em coma até morrer no dia 21 de junho de 2017.

Um relatório divulgado no final de outubro de 2018 pela Agência Independente para a Conduta Policial britânica, entidade responsável pela investigação de morte ou casos suspeitos do uso excessivo de força pela polícia, concluiu que a força usada para fazer a detenção "foi necessária e proporcional".

Segundo a Agência, os pacotes encontrados na sua boca continham heroína e cocaína na forma de craque.

Edson foi um dos quatro homens negros que morreram durante operações policiais no espaço de cinco semanas em 2017, contribuindo para estatísticas que apontam para um uso desproporcional da força contra homens negros.

A indignação gerada motivou uma série de protestos, incluindo o arremesso de garrafas e tijolos e o incendiar de caixotes do lixo, na capital britânica, que resultaram em 14 polícias feridos e cinco detenções por suspeita de vandalismo criminoso ou comportamento violento.

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