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"Em nenhum momento disse que os polícias eram racistas. Nunca o diria"

Apesar de não estar arrependido das declarações sobre o racismo no seio da PSP, Manuel Morais pediu a demissão do maior sindicato daquela força policial, que "defendeu durante quase 30 anos".

"Em nenhum momento disse que os polícias eram racistas. Nunca o diria"

O ex-vice-presidente da Região Sul da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Manuel Morais, admitiu, numa entrevista à SIC Notícias, ao final da tarde desta segunda-feira, que só se demitiu do cargo porque não teve "outro remédio".

"Só me demiti porque eles não tinham competência para me demitir. Achei que seria o melhor para a organização que eu defendi durante quase 30 anos. Não me restou outro remédio", revelou.

Apesar de ter pedido para se afastar do cargo, o agente do Corpo de Intervenção da PSP, garantiu que não está arrependido das declarações que proferiu na polémica reportagem emitida pela SIC, sobre a intervenção policial em zonas urbanas sensíveis, na qual alertava para a existência de focos de racismo na polícia.

"Estou convicto de que a minha linha de pensamento é essa. Não vou abdicar dela nem por um segundo, até aos últimos dias da minha vida", garantiu, aproveitando para explicar as suas declarações, durante a reportagem.

"Em nenhum momento eu disse que os polícias eram racistas. Jamais diria isso, até por uma questão de inteligência. Nunca diria uma coisa dessas. E não o disse. O que eu disse foi que havia um preconceito ético na nossa sociedade e claro, também nas forças de segurança", esclareceu.

Manuel Morais aproveitou ainda a entrevista em direto no antigo canal de Carnaxide para explicar que falou com a jornalista, que produziu a polémica reportagem, cerca de três semanas antes dos seus "colegas de Alfragide" serem condenados, mas que esta só foi emitida pela SIC três dias depois do julgamento. O polícia aponta ainda o dedo à SIC por esta ter "colocado" as suas opiniões pessoais ao cargo que tinha na ASPP, depois de ter pedido "encarecidamente" que não o fizessem.

Além destes dois aspectos, que Manuel Morais garantiu terem sido "cruciais para esta indignação", o antigo vice-presidente da ASPP, asseverou que está a ser vítima de uma "cabala" que foi criada para atingir diretamente o maior sindicato da polícia.

"Acredito que os 200 indivíduos que subscreveram a petição para eu sair, não ouviram as minhas declarações [...]. Isto foi maquinado. Os que maquinaram essa cabala contra a ASPP, servido-se da minha pessoa, são indivíduos que sabiam o que estavam a fazer e estavam bem apoiados. Mas que este meu sacrifício sirva aqui de mote para que as pessoas mudem um pouco dentro e fora da PSP", disse.

Manuel Morais revelou ainda que, desde que a reportagem foi emitida, foi vítima de ofensas e até ameaças de morte.

"Coisas do mais incrível que possam exercer. Foi impensável. Uma pressão terrível. Ofensas à família, ofensas pessoais, ameaças de morte até. E depois é engraçado. Quando abria alguns das páginas [de Facebook] percebia que estavam ligados ao PNR, ou ao Basta, ou ao Chega, ou essa coisa qualquer que apareceu para aí. Não sei se era polícias ou não, acredito que nem polícias eram", concluiu.

Recorde-se que Manuel Morais foi alvo de intensas críticas e de uma onda de contestação depois de ter participado numa reportagem da estação de televisão SIC sobre a intervenção policial em zonas urbanas sensíveis, na qual alertava para a existência de focos de racismo na polícia.

Desde sexta-feira que decorria uma petição pública, lançada por associados da ASPP, para a demissão de Manuel Morais da vice-presidência da ASPP.

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