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"Ser eurocético é ofensivo, sou um euro-cauteloso"

Pedro Santana Lopes recusa definir-se como "eurocético" porque defende "o projeto europeu", prefere a designação de "euro-cauteloso" ou "euro-realista", manifestando reservas em relação ao funcionamento da União Europeia e ao "papel dos países mais poderosos".

"Ser eurocético é ofensivo, sou um euro-cauteloso"

"Hoje em dia ser eurocético é ofensivo, é quase sinónimo de ser extremista. Sempre fui defensor do projeto europeu", disse em entrevista à Lusa o atual líder da Aliança e ex-eurodeputado do PSD, afirmando que essa posição remonta aos tempos da faculdade, na década de 1970.

"Se quiser, eu sou um euro-cauteloso, um euro-realista, muito insatisfeito com os resultados", afirmou, depois de recordar que sendo europeísta sempre foi um "defensor da coesão económica e social e um pouco cético em relação ao papel dos países mais poderosos e à maneira como a igualdade entre os Estados funcionaria" na União Europeia (UE).

Apesar de defender o projeto europeu "com verdade" e sem "nenhum cinismo ou falsidade", Santana Lopes, assume-se mais como um "atlantista".

"Acho que toda a História de Portugal sempre foi mais oceano, mais mar. Acho que Portugal se sente mais realizado nessa vertente atlântica e na relação com os povos de expressão oficial portuguesa. Se quiser, o projeto europeu é em grande medida um casamento por interesse e tem sido, infelizmente", considerou o antigo dirigente social-democrata.

O líder da Aliança afirmou-se ainda "chocado" com o que disse ser a secundarização dos problemas dos países com economias menos desenvolvidas.

"Portugal tem que ter outra atitude em Bruxelas, porque eles, os mais poderosos, têm mais obrigações para com Portugal, de ajudar ao desenvolvimento da economia portuguesa para chegarmos pelo menos à média europeia. Estamos há 33 anos na Europa (...) continuamos a três quartos da média dos europeus e somos ultrapassados pelos da Europa de Leste", afirmou, acrescentando que "quem tem mais poder vai sempre beneficiando até das crises dos mais fracos".

"Para mim, o grande problema foi quando se criou o Euro e quando se fez Maastricht e se estabeleceram obrigações iguais para todos os países, no défice, na dívida pública, independentemente dos seus níveis de desenvolvimento. Era impossível dar certo", considerou.

No entender de Santana Lopes, com uma nova atitude em Bruxelas, Portugal "em vez de beijar tanto a mão tem que bater mais o pé, tem que exigir apoio ao desenvolvimento económico, um programa específico".

"Mais do que sermos bons alunos, reafirmando a nossa fé no projeto europeu, temos que dizer a Bruxelas que assim não pode ser, termos recebido mais de 130 mil milhões de euros e continuarmos a este nível de distância", continuou o líder da Aliança, sublinhando que o partido que fundou tem "uma posição mais exigente" e coloca a sua tónica no crescimento.

Com críticas a Bruxelas por "cortar na despesa e mandar subir impostos", Santana Lopes defendeu que se deve procurar um novo caminho, com a preocupação de fazer o país crescer.

Caso isso não aconteça, "vamos andando a comando dos burocratas, que é 'corta, cativa, come e cala", argumentou.

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