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Francisco Vidal inaugura 'Padrão Crioulo', exposição feita de retratos

O artista luso-angolano Francisco Vidal inaugura hoje, em Lisboa, a exposição 'Padrão Crioulo', onde mostra o projeto de retratos que tem vindo a desenvolver desde 2014, que é "uma espécie de sebenta de um pensamento contemporâneo africano".

Francisco Vidal inaugura 'Padrão Crioulo', exposição feita de retratos
Notícias ao Minuto

08:45 - 13/04/19 por Lusa

Cultura Mostra

"São os retratos que estou a fazer desde que estive a dar aulas de desenho em Luanda, em 2014, uma espécie de sebenta de um pensamento contemporâneo africano", afirmou o artista, em declarações à Lusa, sobre o projeto que é um 'work in progress' (trabalho em desenvolvimento, em português).

Os retratos mais recentes, que na exposição estão "feitos sobre catanas", são de músicos africanos de Lisboa - DJ Marfox, DJ Nervoso, DJ Nigga Fox, DJ Nídia e o DJ Firmeza.

"[Os retratos destes músicos] falam sobre o tempo que vivemos hoje, a música que ouvimos hoje, sobre as pessoas que somos hoje", disse.

Ao projeto de retratos que iniciou em 2014 deu o nome 'Name dropping para uma revolução industrial africana'.

"É de facto um 'name dropping' porque são nomes quase como se fosse uma lista telefónica. Porque eu tenho 630 retratos e a minha intenção quando comecei era chegar aos mil", explicou.

Quando começou o projeto, em Luanda, "o que interessava naquela altura era pensar sobre o passado recente do continente, do país e da cidade, o passado recente político, ético, estético, através do desenho".

"Por isso, aparecem muitos políticos que estiveram envolvidos nas lutas de libertação. Políticos, poetas, músicos, artistas. Aquilo que eu tentei fazer foi uma estrutura de pessoas importantes que mudaram os tempos que vivemos hoje e também pessoas importantes no espaço contemporâneo, que estão a mudar a cultura e a maneira como nos relacionamos uns com os outros", referiu.

Entre os 630 retratados estão também colegas de Francisco Vidal de Luanda, os pintores, os escultores, os músicos, os amigos de Lisboa, pintores e artistas. "Depois de Luanda comecei a viajar por outras cidades e comecei a fazer retratos de pessoas dessas cidades", contou o artista.

Na exposição que é inaugura hoje em Lisboa, no Espaço Espelho D'Água, "estão os 630 retratos", muitos dos quais "são folhas A4 de uma sebenta académica, para tirar fotocópias e passar aos alunos".

"É um objeto de estudo. Os originais viajam e sempre que faço uma exposição fotocopio esses originais e ponho na parede", explicou, acrescentando que faz "uma pequena edição, porque é importante que apareçam os mais importantes sempre".

Por tratar-se de um projeto "portátil", Francisco Vidal sempre que está num espaço tenta "ativar esse espaço numa maneira de estudo".

Em setembro do ano passado, no festival Iminente, em Lisboa, fez "um 'workshop' de papel e retrato com grupo de jovens do bairro da Outurela, em Carnaxide [concelho de Oeiras], com essa intenção que veio de Luanda com os alunos".

"Estive a falar com esses jovens sobre o que é a nossa estrutura cultural, afrodescendente, em 2019 e pensando nesta estrutura que nos faz ser o que somos hoje",

Além disso, quando esteve em São Tomé e Príncipe fez "uma série de retratos de um 'workshop' com 99 crianças e jovens, entre os 3 e os 19 anos".

"O desenho e a fotocópia são um meio de trabalhar um pensamento que viaja por essas geografias todas que pensam em português e que têm ligações históricas", afirmou.

Francisco Vidal considera que, "diariamente, essas geografias e as pessoas que habitam essas geografias têm que pensar o que é que as liga". "Aquilo que nos faz construir um espaço coletivo que atravessa fronteiras físicas, geográficas, mas outras fronteiras também que são importantes de trabalhar para conseguirmos ter um espaço estético, ético, político que cresça, que tenha uma evolução, que seja construtivo e positivo", defendeu.

Francisco Vidal é licenciado em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, fez um curso avançado em Artes Visuais na Escola de Artes Visuais Maumaus, em Lisboa, e tem um mestrado na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Nascido em Lisboa em 1978 de pai angolano e mãe cabo-verdiana, foi selecionado para fazer parte do pavilhão de Angola na 56.ª edição da Bienal de Veneza e tem realizado várias exposições individuais e coletivas em Portugal e no estrangeiro.

Em maio de 2017, duas obras de Francisco Vidal foram a leilão no primeiro leilão da Sotheby's dedicado exclusivamente à Arte Moderna e Contemporânea em África.

'Bye bye NYC, Hello LD; Bye bye LD, Hello NYC', de 2014, foi licitada por 12.500 libras (14.557 euros), porém 'Icarus Chocolate', de 2013, que tinha um preço estimado entre 15.000 e 20.000 libras (17.300 - 23.100 euros), não conseguiu atrair um comprador.

Em outubro do mesmo ano, um quadro seu foi arrematado em leilão por 3.200 libras (3.589 euros) em Londres.

'Utopia Luanda Purple' é uma tela produzida em 2016, cujo valor estava estimado entre 3.000 e 5.000 libras (3.400 e 5.700 euros).

'Padrão Crioulo' fica patente no Espaço Espelho D'Água até 25 de maio.

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