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NATO foi crucial em Portugal, na ditadura como na democracia

A NATO continua a ser essencial para a política externa portuguesa, como foi ao longo dos 70 anos da sua história, em ditadura ou em democracia, de acordo com analistas consultados pela Lusa.

NATO foi crucial em Portugal, na ditadura como na democracia

Portugal aderiu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) no ano em que foi fundada, 1949, apesar de viver num regime político ditatorial e de ser olhado com desconfiança por vários dos 12 membros originários.

Para vários analistas consultados pela Lusa, no momento em que se comemoram os 70 anos da NATO, na próxima quinta-feira, percebe-se a importância estratégica da organização, quer para o regime ditatorial, quer durante a transição para a democracia.

"Portugal foi convidado a integrar a NATO pela importância estratégica da base das Lajes, nos Açores, para os norte-americanos", explicou à Lusa Daniel Marcos, historiador do Instituto de Políticas e Relações Internacionais.

"Foi uma situação excecional, num grupo de países que partilhava valores democráticos. Veja-se como foi recusada a adesão da Espanha, que vivia a ditadura de Franco e apenas integrou a NATO em 1982", complementou Carlos Gaspar, investigador de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa.

Para estes analistas, a adesão de Portugal à NATO, em 1949, constituiu uma legitimação internacional do regime salazarista.

"Foi bom para o regime e mau para a oposição, que via a ditadura ser reconhecida pela comunidade internacional", explicou Daniel Marcos.

O historiador mencionou ainda as resistências que se declararam por parte de países como a Noruega, que não aceitaram de bom grado a presença de um membro que não possuía um regime democrático e que não partilhava dos valores fundamentais da organização.

A desconfiança aumentou ainda mais quando Portugal se envolveu na guerra colonial, em África, com a NATO a exigir ao governo de António Salazar que não utilizasse material militar fornecido às Forças Armadas no âmbito da NATO nas missões bélicas em África.

Mas a NATO teria um efeito positivo na estabilização da democracia em Portugal, após a revolução de 25 de abril de 1974, pela influência que teve na profissionalização e organização da estrutura militar que ajudou a implementar o novo regime.

Durante o Período Revolucionário em Curso (PREC), os receios dos restantes membros da NATO prenderam-se com a presença de elementos do Partido Comunista nos governos dos primeiros anos de democracia, temendo que a sua ligação próxima com o Kremlin pudesse servir para passar informação de operações da NATO para o exército soviético, explicou à Lusa Daniel Marcos.

Mas nos anos seguintes, diz o historiador, a presença de Portugal na NATO serviu para "levar os militares de volta aos quartéis", no âmbito da função primordial das Forças Armadas na organização internacional.

Nas últimas décadas, a NATO tem tido um papel útil para Portugal, ao pressionar o recentramento da estratégia europeia para o Atlântico e para ocidente, segundo Tiago Moreira de Sá, analista de política internacional do Instituto de Políticas e Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa.

"A NATO tem puxado a Europa para ocidente, pela sua natureza transatlântica, e isso é benéfico para Portugal, porque equilibra a tendência para a sua 'lestização' por influência do alargamento da União Europeia para o outro lado do continente", explicou Moreira de Sá à Lusa.

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