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"O monstro assassinou a nossa princesa de madrugada, durante o seu sono"

Sandra Cristina recorda os momentos de pânico, o sofrimento e a angústia que a mãe terá sofrido até ao "último suspiro" quando Pedro Henriques a matou à facada, no mês passado.

"O monstro assassinou a nossa princesa de madrugada, durante o seu sono"
Notícias ao Minuto

13:12 - 08/03/19 por Notícias Ao Minuto 

País O relato de Sandra

Passou um mês desde que o país se chocou com a tragédia em que Pedro Henriques matou a sogra, a sua filha, de dois anos, na Amora (Seixal), acabando por se suicidar em Castanheira de Pera, de onde era natural.

Sandra Cristina, a mulher que perdeu a mãe e a filha, recordou a tragédia assinalando o mês que passou desde o crime.

Num longo texto publicado no Facebook, Sandra diz que ainda não tinha conseguido escrever por não conseguir encontrar palavras para descrever a “tamanha beleza como ser humano” da mãe e a sua “grandiosidade e generosidade”.

A mulher assinala as horas de pânico, a raiva, o sofrimento, a angústia que a mãe terá sentido “até ao último suspiro”. “Hoje tive um arrepio pelo corpo todo. Olhei para o relógio e eram 8h10m. Foi a essa hora que tudo aconteceu mamusca?! Fui à janela e o céu cinzento começou a descobrir o sol”, escreve.

Sandra conta que o seu cérebro “tenta diariamente visualizar como tudo aconteceu” e diz não ter a menor dúvida de que "aquele cobarde" lhe disse que estava ali “com a princesa” para que lhe abrisse a porta, uma vez que “não era suposto deixá-lo entrar em casa”.

Está convicta que o grito da mãe - “o único que os vizinhos dizem ter ouvido – não foi de dor mas sim de susto.

“Sempre achei que fosse da dor que sentiste enquanto a lâmina ponteaguda da faca te perfurava. Não, o teu grito não foi de dor, não lhe ias dar esse prazer. O teu grito foi do susto, da fração de segundos de intervalo entre aperceberes-te que ele estava armado, até dar o primeiro inevitável golpe por te apanhar desprevenida. Cobarde... psicopata... lobo em pele de cordeiro... como muitos que andam por aí, alguns até bem perto de nós”, escreve Sandra, acrescentando depois que o que mais lhe dói é saber que a mãe sofreu e muito.

“É saber que aquele monstro depois de te ver indefesa, caída no chão, num lago de sangue, ainda fez questão de aguardar uns bons minutos só pelo prazer de te ver sofrer... ainda deve ter esboçado um sorriso, proferido algumas palavras atormentantes e depois sim, deu o golpe final!”, prossegue.

Daquilo que Sandra supõe Pedro Henriques terá dito à mãe que “a princesa estava morta”. “Ele sabia que davas a vida por ela, mas quis que soubesses que a tua luta, a nossa luta pelo bem estar da menina tinha sido em vão. Mais do que isso, quis-nos culpar pela morte dela”.

Sandra acredita também que o “monstro assassinou a nossa princesa de madrugada, durante o seu sono, provavelmente dopada com algum medicamento, para que não abrisse os olhos e não tivesse consciência de quem lhe estava a fazer mal”.

“Já a trazia sem vida quando aqui veio. Assim, se por algum motivo os seus planos falhassem, o principal estava feito”, refere, prometendo “dignificar” a morte da mãe e da filha: “Leve o tempo que levar”.

Escrevi, escrevi, estão aqui tantas palavras mas, na realidade, ainda não foi desta que te escrevi. Tu sabes... Amo-te... Amo-vos”, termina.

Numa outra publicação, Sandra informa que uma missa em homenagem à mãe e à filha se realiza esta sexta-feira, dia 8, pelas 19h00 na igreja Beato Scalabrini (Rua do Minho - Cruz de Pau). 

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