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Não, não é um nevão. Assim ficaram as ruas de Ponta Delgada após a folia

À distância, pode parecer um nevão. A realidade, contudo, é bem diferente.

Não, não é um nevão. Assim ficaram as ruas de Ponta Delgada após a folia
Notícias ao Minuto

14:42 - 06/03/19 por Melissa Lopes 

País Ambiente

É Carnaval, ninguém leva a mal. A não ser o ambiente. As imagens que se seguem são das ruas de Ponta Delgada, nos Açores, e mostram o cenário ‘plastificante’ pós festa de Carnaval.

As fotografias e vídeos são partilhados pela Associação Amigos do Calhau. Com a divulgação do retrato pós Carnaval, a associação pretende, de alguma forma, contribuir para educar a nossa sociedade, uma vez que, em matéria de ambiente, “ainda muito há a fazer”.

Esta associação conta que esta quarta-feira as ruas já estão limpas, mas lamenta que muito desse plástico tenha ido parar ao mar devido ao vento, chuva e esgotos que vão dar ao mar. “Tem de se mudar mentalidades”, insiste em declarações ao Notícias ao Minuto.

Uma questão de tradição e um contrassenso

As imagens mostram um cenário que, a olho nu, até pode assemelhar-se a um nevão. Um piscar de olhos e a realidade fica a vista. Não se trata de neve mas sim de sacos de plástico, que resultam de uma tradição chamada ‘guerra de limas’.

“A tradição começou por ser uma 'guerra de flores', há mais de 100 anos. Depois passou a ser a guerra de "limas", feitas de cera e com água dentro. Quando começaram a fazer em sacos de plástico, que são muito baratos e muito mais fáceis de fazer, tornou-se na desgraça ambiental que existe agora”, conta, sublinhando que alguns grupos começam a preparar os sacos com um mês de antecedência, e “há milhares e milhares” deles.

A mesma associação lamenta ainda que a autarquia de Ponta Delgada patrocine o evento, configurando isso um contrassenso - “vai contra as ideias que apregoam de querer proteger o ambiente”.

"Mesmo que se recolham os sacos que não vão parar diretamente ao mar, que serão muitos, a maioria irá parar a aterro, e aí degradar-se o que irá causar os problemas já conhecidos - microplásticos que vão parar à nossa alimentação mais tarde ou mais cedo", lembra, ressalvando  não ter nada contra as diversões.

Mais, mesmo que fossem reciclados, aponta a associação, "a reciclagem é uma solução 'de última linha', o ideal é não produzir plásticos - a reciclagem consome energia, recursos..."

Estas tradições "têm de ser regulamentadas de modo a evitar estas situações, que contrariam e agridem a ideia dos Açores 'certificados pela Natureza'", defende, por fim.

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