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Angola: Eanes abriu caminho e presidentes seguintes visitaram o país

O general António Ramalho Eanes, primeiro Presidente português eleito em democracia, abriu caminho à normalização das relações com Angola, e todos os seus sucessores, Soares, Sampaio, Cavaco e agora Marcelo, visitaram também o país.

Angola: Eanes abriu caminho e presidentes seguintes visitaram o país
Notícias ao Minuto

12:45 - 03/03/19 por Lusa

País Diplomacia

A última visita de Estado de um Presidente português a Angola foi há nove anos, entre 19 e 22 de julho de 2010, no final do primeiro mandato de Cavaco Silva, que esteve em Luanda e nas províncias de Huíla e Benguela - as mesmas que Marcelo Rebelo de Sousa visitará, entre quarta-feira e sábado.

O primeiro Presidente da República eleito por sufrágio universal após o 25 de Abril de 1974, Ramalho Eanes, tomou posse em 14 de julho de 1976, no rescaldo da guerra colonial e do processo de descolonização.

Dois anos depois, Eanes assinou em Bissau um Acordo de Cooperação Luso-Angolano, com Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, país independente desde 11 de novembro de 1975 e desde então governada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Agostinho Neto morreria em setembro de 1979, em Moscovo, e Ramalho Eanes deslocou-se a Angola pela primeira vez como chefe de Estado para o seu funeral.

No seu segundo mandato presidencial, regressou, em visita oficial, entre 16 a 19 de abril de 1982, e a sua presença foi saudada por José Eduardo dos Santos como "a presença de Portugal de Abril, de um Portugal novo".

"Marca o início de uma nova era de solidariedade, de esperança, de cooperação mutuamente vantajosa e de respeito pela independência e soberania de cada Estado. Por isso o nosso povo saiu à rua para o saudar", disse-lhe o então Presidente angolano, num banquete oferecido em sua honra.

Eanes, por sua vez, criticou "a mentalidade colonial", dizendo que impediu "uma transição ponderada e segura para a independência do povo angolano" e que provocou uma "guerra sem sentido político e sem finalidade histórica", que "o povo português não desejou".

O Presidente português expressou "vontade de superar os erros do passado" e considerou que se abria um novo quadro de relações "de amizade, de igualdade e de justiça", sem "lugar para saudosismos ou para complexos".

Foi já no mandato de Mário Soares na Presidência da República Portuguesa que José Eduardo dos Santos realizou a sua primeira visita a Portugal, em finais de setembro de 1987, com a guerra civil angolana ainda em fase acesa.

Em maio de 1991, voltou a Portugal, para a assinatura dos acordos de paz de Bicesse, com o líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Jonas Savimbi. Reuniu-se com o Presidente português no Palácio de Belém e convidou Soares a ir a Angola.

A visita de Estado de Mário Soares a Angola, no entanto, só aconteceria entre 8 e 11 de janeiro de 1996, a dois meses de cessar funções, enquanto decorria em Portugal a campanha para a escolha do seu sucessor. De acordo com a reportagem da Lusa, Soares foi recebido por José Eduardo dos Santos com um forte abraço, no aeroporto, à chegada a Luanda.

O conflito entre o MPLA no poder e a UNITA teve impacto nas relações bilaterais, devido ao apoio de uma parte do PS ao movimento de Savimbi, embora minoritária, em que figurava João Soares, filho do líder histórico dos socialistas portugueses.

O processo de paz esteve no centro da visita de Estado de Mário Soares, que se reuniu também com representantes da oposição e defendeu a "necessidade urgente" de os angolanos se reconciliarem. "Esta é a hora da paz", afirmou.

O Presidente português discursou na Assembleia Nacional, onde declarou: "Quero dizer aqui, com todo o realismo e todo o sentido de oportunidade, que em países em dificuldades, dificuldades económicas, dificuldades que também têm a ver com a paz e com os caminhos da paz, não se pode exigir desses países a aplicação estrita de certas regras formais da democracia".

Mário Soares inaugurou o Centro Cultural Português em Luanda - que Marcelo Rebelo de Sousa irá visitar - e prestou homenagem aos angolanos e portugueses mortos durante a guerra colonial, os primeiros porque lutaram pela independência de Angola e os segundos porque "honraram Portugal", embora em defesa de uma "ideia errada".

Passados dois meses, o novo Presidente português, Jorge Sampaio, contou com a presença de José Eduardo dos Santos na sua posse, em 9 março de 1996, e os dois reuniram-se no dia seguinte, no Palácio de Belém. Em julho desse ano, o Presidente de Angola voltou a Lisboa para a cimeira constitutiva da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Em abril de 1997, foi Sampaio a visitar Luanda, por ocasião da posse do chamado Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN), cerimónia em que discursou e na qual Marcelo Rebelo de Sousa, que na altura liderava o PSD, também esteve presente.

No seu discurso, Sampaio fez votos para que o GURN fosse "um passo decisivo em direção à paz" e assegurou que "Portugal estará sempre ao lado de Angola e dos angolanos, de todos os angolanos, nos seus anseios pela democracia, pela liberdade, pela justiça e pelo desenvolvimento". No final, o Presidente sul-africano, Nelson Mandela, levantou-se para o cumprimentar.

Em escala para os Estados Unidos da América, José Eduardo dos Santos passou por Lisboa em 24 de fevereiro de 2002, dois dias após a morte de Jonas Savimbi, e reuniu-se com Sampaio, no dia seguinte.

Passados três anos, Jorge Sampaio esteve nas comemorações do 30.º aniversário da independência de Angola, entre 9 e 11 de novembro de 2005, em Luanda, onde afirmou que, "ultrapassadas questões de natureza emocional, é importante que as relações entre Angola e Portugal sejam estáveis, quaisquer que sejam os governos" e evoluam para "uma convergência estratégica".

No primeiro mandato presidencial de Aníbal Cavaco Silva, entre 2006 e 2011, José Eduardo dos Santos esteve em Portugal para uma Cimeira União Europeia/África, em dezembro de 2007, e em visita de Estado, entre 10 e 11 de março de 2009.

Cavaco Silva retribuiu essa visita de Estado no ano seguinte, entre 19 e 22 de julho. Chegou a Luanda no dia 18 à noite, acompanhado por quase uma centena de empresários e três ministros, e ficou até dia 23, para participar numa cimeira da CPLP.

No discurso que fez no parlamento angolano, com ênfase nas relações económicas, defendeu "uma verdadeira parceria estratégica". No plano político, enalteceu a evolução democrática e o desenvolvimento de Angola desde o fim da guerra, em 2002, mas referiu que a democracia "é quase sempre uma obra inacabada", que "exige atenção e um trabalho de consolidação permanente".

No segundo mandato de Cavaco Silva, entre 2011 e 2016, não houve visitas de parte a parte ao nível de chefes de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa, que assumiu a chefia do Estado em 9 de março de 2016, esteve na cerimónia de posse do novo Presidente de Angola, João Lourenço, em 26 de setembro de 2017, e no dia anterior foi recebido pelo seu antecessor, José Eduardo dos Santos.

Em novembro do ano passado, recebeu João Lourenço em Portugal, numa visita de Estado a Portugal de três dias, que agora retribui.

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