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Uma exposição "deve ser um corpo vivo e criar curiosidade"

O artista plástico Pedro Cabrita Reis, autor do projeto 'A metade do céu', para celebrar a obra de Maria Helena Vieira da Silva, quis criar uma exposição como "corpo vivo", para "criar curiosidade permanente e provocar reações" no público.

Uma exposição "deve ser um corpo vivo e criar curiosidade"
Notícias ao Minuto

13:16 - 01/03/19 por Lusa

Cultura Cabrita Reis

Este é o impacto que o artista pretendeu obter ao idealizar uma exposição com obras de 60 artistas portuguesas, para celebrar os 25 anos do Museu Arpad Szenes -- Vieira da Silva, em Lisboa, que será inaugurada a 21 de março.

Questionado pela agência Lusa sobre se esta exposição tem alguma ligação ao atual debate e foco nas questões de género, Pedro Cabrita Reis descartou totalmente esta ideia.

"Não tem nada a ver com os atuais debates sobre as questões de género, que é um tema escaldante e propicia-se a inúmeros equívocos. Eu sigo a atualidade social e política, as questões do racismo, a globalização, mas não tenho uma agenda política pessoal", respondeu.

Cabrita Reis diz que tem a noção de que a exposição "será objeto desse tipo de análises, mas isso terá a ver com as pessoas que as fazem".

"Esta exposição não tem uma agenda política restrita, é sobre a obra de artistas plásticas, e achei que seria a melhor forma de as celebrar", justificou.

Apontou que escolher as obras das 60 criadoras foi interessante, ao pensar nelas numa trajetória que as apresenta em forma de "conversa umas com as outras", e espalhadas por todo o edifício do museu, "com abertura a muitas possibilidades".

A ideia não era apenas olhar para a obra de Vieira da Silva, mas, "por ser uma ocasião única, expandir para um projeto transversal que olha para as obras de outras artistas portuguesas para celebrar a obra dela", descreveu Pedro Cabrita Reis cuja obra também é reconhecida internacionalmente.

A mostra "A metade do céu" reúne exclusivamente obras realizadas por mulheres artistas portuguesas, oriundas das mais diversas áreas do pensamento e da criatividade, e cujos trabalhos estão situados num arco temporal de produção situado entre meados do século XX e a atualidade, partindo porém da expressão barroca de Josefa d'Óbidos, a artista que, em pleno século XVII, pediu a emancipação e conquistou a sua própria autonomia.

"O mais importante no trabalho dos artistas não é uma homenagem, mas a visibilidade", defendeu Cabrita Reis, acrescentando que a razão de ser de um objeto de arte é dar a vê-lo, para "aumentar a inteligência das pessoas".

Serão apresentadas obras de 60 artistas, da arte de Josefa d'Óbidos à contemporaneidade de criadoras como Maria Helena Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Lourdes Castro, Menez e Graça Morais, Ana Hatherly, Adriana Molder, Filipa César, Ana Jotta, Joana Vasconcelos, Ângela Ferreira, Fernanda Fragateiro, Graça Costa Cabral, Leonor Antunes, Sofia Areal e Clara Menéres.

Sobre a obra de Vieira da Sila, Cabrita Reis disse à Lusa preferir os trabalhos mais antigos, anteriores aos anos de 1950.

"Tem um papel central na História da arte europeia e portuguesa do século XX. O seu trabalho é incontornável", avaliou, descrevendo a pintura da autora como "enigmática e poderosa".

"É penoso ver o congelamento do olhar sobre a obra de Vieira da Silva, que tem sido pouco arrojado e conservador. Eu queria introduzir um olhar polimorfo e enriquecedor às obras dela, acompanhá-las por outras obras de artistas contemporâneas e mais antigas", justificou o artista e curador, nascido em Lisboa, em 1956.

O catálogo que será editado no âmbito da exposição terá textos das historiadoras de arte Raquel Henriques da Silva e Carolina Machado.

Pedro Cabrita Reis propõe uma exposição coletiva "inteira e declaradamente liberta de qualquer condicionalismo temático, desprovida de uma narrativa curatorial e que se quer, aliás, alheia ao artifício discursivo", segundo a apresentação da mostra.

O curador convidado pela Fundação Arpad Szenes -- Vieira da Silva foi buscar o título a uma expressão atribuída ao líder chinês Mao Tsé-Tung, segundo o qual toda e qualquer mulher sustenta "A metade do céu".

Pedro Cabrita Reis traz ao Museu Vieira da Silva uma seleção de obras em desenho, pintura, escultura, instalação, fotografia e o vídeo.

Ana Isabel Miranda Rodrigues, Ana Pérez-Quiroga, Catarina Leitão, Fátima Mendonça, Graça Pereira Coutinho, Luísa Correia Pereira, Patrícia Garrido, Rita GT, Rosa Carvalho, Salomé Lamas, Sara & André, Sara Bichão, Sarah Affonso, Susanne Themlitz, Túlia Saldanha e Vanda Madureira são outras artistas que estarão representadas na exposição.

Criada ainda em vida de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), uma das mais importantes pintoras portuguesas, e instituída por decreto-lei em 10 de maio de 1990, a Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva tem como missão garantir a existência de um espaço, em Portugal, onde o público possa contactar permanentemente com a obra do casal de artistas.

O Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva foi inaugurado em 03 de novembro de 1994, num edifício da Praça das Amoreiras, cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, e apresenta regularmente exposições com a obra do casal ou de artistas com os quais tiveram algum tipo de ligação de amizade.

A coleção do museu cobre um vasto período da produção de pintura e desenho do casal: de 1911 a 1985, para Arpad Szenes (1897-1985), e de 1926 a 1986, para Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992).

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