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  • 08 DEZEMBRO 2019
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Faltar às aulas em luta pelo Planeta: "Esta é a última oportunidade"

No dia 15 de março, alunos de várias escolas do país vão faltar às aulas para gritar bem alto e exigir "compromissos sérios" por um futuro sustentável. E se já não podemos evitar ou reverter as alterações climáticas, devemos agarrar a "última oportunidade" de garantir a continuidade da vida no Planeta.

Faltar às aulas em luta pelo Planeta: "Esta é a última oportunidade"

"Porque deveria um jovem estar a estudar para o seu futuro, se ninguém faz o suficiente para o salvar?”. Mais. “Porque vamos aprender factos quando os factos mais importantes, fornecidos pelos melhores cientistas são ignorados pelos nossos políticos?"

As perguntas são de Greta Thunberg, a jovem de 15 anos que está a dar que falar no mundo dos grandes. A sueca tornou-se já um símbolo depois de ter tomado a iniciativa de faltar às aulas, todas as sextas-feiras, para passar os dias em frente ao parlamento do seu país. Com que intenção? Exigir compromissos ambiciosos (e o cumprimento efetivo dos mesmos) a favor do Planeta.

Greta repetiu o gesto todas as semanas e assim nasceu o movimento ‘Fridays for Future’, conseguindo sensibilizar colegas estudantes mas também alguns adultos.

Daí até ser convidada para falar na conferência da ONU COP24, na Polónia, sobre alterações climáticas foi um pequeno passo, tendo deixado os líderes mundiais sem palavras. Um passo com dimensão suficiente para que lhe abrir as portas do mundo – o mundo que quer a todo o custo salvar – e lhe trazer o mediatismo que hoje lhe conhecemos.

Talvez tenha sido este o momento-chave do movimento que, aos poucos, deixou de ser seu para se pulevrizar. Começaram a multiplicar-se as greves tanto na Suécia como na Alemanha e noutros países europeus. Muitos jovens pelo mundo inteiro, com preocupações ambientais, perceberam que podiam ser ouvidos, tal como Greta foi.

A iniciativa Greve Climática Estudantil, marcada para 15 de março, não nasceu por isso em Portugal. Foi Greta quem deu o tiro de partida, por conta própria. Mais tarde, um grupo de estudantes na Austrália decidiu ir mais além e convocou uma greve mundial, a partir do site School Strike 4 Climate. Esta é uma paralisação estudantil que será seguida de manifestações organizadas por estudantes de todo o mundo. E Portugal não fica de fora.

“O movimento português foi inspirado pela Greta e está de mãos dadas com a iniciativa australiana”, resume Rita Vasconcelos ao Notícias ao Minuto, sublinhando que todos os envolvidos “estão a fazer um ótimo trabalho a despertar o mundo”. E disso é exemplo, aponta, o caso da greve climática belga que esta quinta-feira, dia 21, juntou milhares num protesto que contou com a presença da 'menina das tranças'. 

Quem são os rostos da greve em Portugal?

As estudantes Mariana Alvim (17 anos, Escola Secundária de Palmela) e Beatriz Barroso (17 anos, Colégio Saint Peters) quiseram, também, incluir Portugal neste movimento. Para isso, conta Rita, falaram com amigos de maneira a expandir a ‘rede’ de organização.

Atualmente há 29 pessoas. Umas frequentam o ensino secundário, outras o superior em áreas como Psicologia, Direito, Relações Internacionais, Biologia, Engenharias. É esta rede que está a organizar as manifestações em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Faro, Funchal, Setúbal e Santarém. Mas não só. “Há outras localidades mais pequenas que estão, também, a colaborar connosco para fazerem ações deste tipo no dia 15 de março”, explica Rita, referindo-se a associações de estudantes e núcleos estudantis (tanto do ensino básico e secundário como do superior).

A organização está, inclusive, a ser contactada por particulares e outras associações por todo o país. “E o número de escolas interessadas cresce a cada minuto”. Ao todo, são já cerca de 60 os alunos que, diretamente, estão a organizar greve. Do feedback que têm recebido, a greve está a ser bem recebida não só pela comunidade estudantil como por encarregados de educação.

E queremos que os líderes de hoje saibam que nós, os líderes de amanhã, estamos alerta

Pais e professores apoiam 

Faltar às aulas pode ser encarado como um ato de rebeldia. A organização da greve diz estar a trabalhar com as associações de estudantes para apresentar “o projeto” de modo a que “o melhor interesse dos alunos seja protegido”. Isto é, para que possam manifestar-se pelo ambiente “sem serem prejudicados nas suas avaliações”.

“Também temos recebido via redes sociais e e-mail o apoio de alguns professores e pais que louvam a atitude proativa da manutenção deste direito e dever cívico, um ambiente sadio”, garante Rita.

Exigimos um compromisso sério por um futuro sustentável

Quanto aos objetivos da greve, elucida, a nível local pretende-se “mostrar aos líderes municipais e até distritais que os jovens estão atentos aos problemas que apresentam”.

A nível nacional, prossegue, “queremos demonstrar que estamos atentos à falta de compromisso com ambiente quer perante a ONU, quer perante a UE, quer perante a utilização de energias renováveis que tão bem resultariam no nosso país, se aplicadas em força”.

“Já a nível mundial, estamos solidários com todos os países que já estão a sofrer com um clima danificado, desastres naturais, perdas de vidas, biodiversidade e saúde. Exigimos um compromisso sério por um futuro sustentável, pois já todos estamos a pagar pelos atos de todos. Pretendemos mostrar que os jovens estão atentos e ativos”.

Temos apenas 12 anos para tentar evitar uma grande catástrofe ambiental permanente

Estes jovens sabem que correm o risco de ser vistos, por alguns, como “miúdos que não querem ir às aulas”, mas essas são as pessoas que “não entendem a urgência do assunto em mãos”, aponta, assegurando que o “rótulo” não os assusta. “Pretendemos apenas que medidas sejam tomadas”.

E a urgência do que temos “em mãos” está bem fundamentada. “A ONU avisou-nos que temos apenas 12 anos para tentar evitar uma grande catástrofe ambiental permanente”, recorda Rita.

E se já não podemos evitar e reverter as alterações climáticas (todos os dias milhares de pessoas sofrem, já, com os seus efeitos), devemos ‘agarrar’ a última oportunidade de garantir vida no Planeta: “Estamos perante a nossa última oportunidade de agir - a última oportunidade de garantir a continuidade da vida no Planeta. E queremos que os líderes de hoje saibam que nós, os líderes de amanhã, estamos alerta”, sintetiza.

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