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Na Semana Verde de Berlim já todos conhecem o pastel de nata

"O que vai ser, meu amor? Um pastel de nata?", sem precisar de traduções, João Garrafão vai chamando a clientela alemã que visita a Semana Verde Internacional de Berlim, feira agroalimentar, que termina no domingo.

Na Semana Verde de Berlim já todos conhecem o pastel de nata
Notícias ao Minuto

11:54 - 25/01/19 por Lusa

País Feira

Durante 10 dias, sete empresas nacionais e uma associação, reunidas através da Associação do Cluster Agroindustrial do Centro, Inovcluster, mostram e vendem diretamente vários produtos alimentares, do pastel de nata ao azeite.

Enquanto espera pelo troco, Sofia, uma alemã com pouco mais de 60 anos vai saboreando o pastel de nata que acabou de agarrar. "Comi a primeira vez em Lisboa. São deliciosos", confessa.

No 'stand' da Beira Salgados, João Garrafão vai convidando a clientela a provar, não só o pastel, mas também as empadas, a especialidade da empresa de Idanha-a-Nova. Chama em português, agradece em alemão, e diz adeus em inglês. E quem por lá passa vai sorrindo e comprando.

"Gostam muito dos pastéis de nata porque muitos já conhecem, fizeram férias em Lisboa e no resto do país. As empadas não conhecem tanto, mas vão experimentando e gostam", explica José Cardoso, um dos vendedores, lamentando, ainda assim, a desertificação que tem atingido o interior e afetado a economia.

"O interior está praticamente sem nada, e as vilas são as que mais sofrem. O pior é que não se vê evolução", desabafa.

Na Maria Dias Limitada, empresa de distribuição de produtos alimentares de Castelo Branco, que já visita a feira há cinco anos, o rissol de leitão "é o que melhor vende".

"O cliente alemão não costuma gostar muito de peixe, então o pastel de bacalhau, por exemplo, nem sempre tem muita saída", explica João Vilela, sócio-gerente da empresa, que confessa estar satisfeito com a resposta do consumidor alemão aos seus produtos.

Para a Horta de Gonçalpares, que produz entre 2.600 a 5.000 garrafas de vinho por ano, o mercado alemão é mesmo o principal cliente.

"Há pessoas que vêm aqui de propósito beber o vinho Raya. Grande parte da nossa exportação é para a Alemanha, é o primeiro destino, seguido da Áustria. Esta feira ajuda porque nos mantém próximo dos clientes que depois vão comprar aos nossos distribuidores", revela João Salavessa, um dos donos da empresa.

Sérgio Saraiva, também reconhece que a aposta no mercado alemão tem dado frutos para a Damar, produtora de queijos, com sede no Fundão.

"Temos vindo a conquistar mercado porque as pessoas ao provarem, gostam, e voltam a repetir todos os anos. É um mercado interessante, ainda só fazemos esta feira, mas vamos pouco a pouco (...) Este é também um bom convite de entrada ao nosso país. Dar a provar os nossos produtos é uma forma de levar mais turistas a Portugal", admite o empresário.

É precisamente graças ao turismo e à divulgação que muitos alemães procuram a Dayana. A empresa, que nasceu há 30 anos em Cebolais de Cima, freguesia de Castelo Branco, traz broas de mel, broas de leite, pão com chouriço e, os mais procurados, pastéis de nata.

"Felizmente temos a sorte dos pastéis de nata já estarem muito divulgados no mundo. Há dois anos passou uma entrevista nossa sobre pastéis de nata num canal alemão, então há muita gente que vem à procura do bolo que viram na televisão. Há também outra parte que os provou em Lisboa", conta Álvaro Lopes.

"A Alemanha é um bom mercado", sublinha João Rodrigues da Monte Barbo. "Já cá temos alguns clientes, por isso apostamos nesta feira. Começámos a crescer há uns dois anos e agora este destino já está entre o segundo e o terceiro lugar das nossas exportações".

O sócio-gerente da empresa de Proença-a-Nova realça que "há pessoas que vêm de propósito por causa do produto, mas também há muita gente nova que experimenta e gosta", destacando que o vinho da Beira Interior ainda não é muito conhecido.

João Domingos confessa que o maior mercado da Fio da Beira ainda é o nacional, mas a internacionalização é o caminho a seguir para a empresa que produz e vende, há dez anos, azeite virgem extra.

"Já começamos a exportar devido à presença nesta feira, ainda não ao nível desejado, mas vamos nesse caminho. Já temos clientes fixos, que começaram por comprar uma garrafa e agora levam duas ou três e todos os anos aparecem. A internacionalização é o caminho a seguir porque a empresa também está a crescer, tanto a sua área de olival, como a azeite produzido", confessa o diretor de produção.

"A Alemanha, e principalmente Berlim, já é um grande consumidor de pera rocha", explica Joana Pereira, secretária-geral da Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha, sublinhando a presença desta fruta em vários supermercados alemães.

"As reações são boas, quem cá vem acha que a pera está bem melhor em relação ao ano passado, mesmo apesar da quebra que tivemos. As pessoas estão a gostar do sabor, do calibre, do tamanho, tudo", enfatiza Joana Pereira, dando conta que o mercado alemão é o terceiro destino das exportações da pera rocha, "com tendência a crescer".

A 84ª Semana Verde Internacional de Berlim (Internationale Grüne Woche) começou a 18 de janeiro e termina no domingo.

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