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Porto Editora nega censura a poema de Fernando Pessoa em manual escolar

A editora responsável pelo manual de 12.º ano já emitiu um esclarecimento sobre o sucedido, defendendo a sua decisão com a “abordagem didático-pedagógica”.

Porto Editora nega censura a poema de Fernando Pessoa em manual escolar

A Porto Editora vê-se novamente imersa numa polémica relacionada com os livros que publica.

Depois de, em 2017, terem sido notícia os blocos com atividades lúdicas para ‘meninas’ e para ‘rapazes’, que levaram a editora a ser acusada de sexismo, a Porto Editora volta a estar sob as luzes dos holofotes por razões menos positivas.

Desta vez a polémica é com o manual de Português do 12.º ano.

No livro em causa, um dos poemas de Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa) é censurado, com três versos a serem eliminados do livro destinado ao aluno: "E cujas filhas aos oito anos - e eu acho isto belo e amo-o! - / Masturbam homens de aspeto decente nos vãos de escada".

Notícias ao MinutoPágina 100 do manual 'Encontros 12'© Porto Editora

... "Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas"...

Notícias ao MinutoPágina 99 do manual 'Encontros 12'© Porto Editora

A equipa de autores do manual ‘Encontros 12’, considerou oportuno omitir estes versos, deixando a decisão de os ler, ou não, na aula, nas mãos dos professores, uma vez que no livro para os docentes não há qualquer omissão, estando até sinalizados os versos omitidos aos alunos.

A Porto Editora já reagiu à polémica que se instalou com a notícia avançada pelo jornal Expresso, frisando que no livro em causa as “autoras sinalizam ao professor quais os versos que se encontram omitidos na edição do aluno”.

“Assim, os docentes podem decidir se abordam em contexto de sala de aula – e de que forma – versos que têm linguagem explícita e se relacionam com a prática da pedofilia”, acrescenta a mesma nota.

Justificando esta tomada de posição com questões de “abordagem didático-pedagógica”, a equipa de autores do livro frisa que os alunos têm indicação, no seu manual, de que os versos foram cortados, sendo que a diferença entre os livros para os professores e para os estudantes “assenta no pressuposto de que cada docente tem um papel central na preparação e na organização das suas aulas, em função das características específicas de cada turma”.

“Por conseguinte, não há qualquer censura à obra de Fernando Pessoa, apenas e tão somente uma preocupação didático-pedagógica – seguida pela generalidade dos manuais existentes – que permite aos professores decidirem livremente sobre a abordagem mais adequada junto dos seus alunos”, termina o comunicado.

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