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Guardas da GNR acusados de tráfico de droga começaram a ser julgados

O Tribunal de Vila Real começou hoje a julgar quatro arguidos pelo crime de tráfico de droga, incluindo dois militares da GNR, um dos quais se recusou a prestar declarações e o outro negou a acusação.

Guardas da GNR acusados de tráfico de droga começaram a ser julgados

Os quatro arguidos, com idades compreendidas entre os 25 e os 36 anos, estão acusados pelo Ministério Público (MP) da autoria material do crime de tráfico de estupefacientes entre, pelo menos, julho de 2017 e abril de 2018, altura em que foram detidos após uma investigação desenvolvida pelo Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento de Vila Real da GNR.

Os dois militares, que na altura da detenção prestavam serviço no Peso da Régua, possuem 27 e 35 anos, estando um deles em prisão preventiva e o outro sujeito à medida de coação de apresentações periódicas.

Hoje, no início do julgamento, o guarda que está em prisão preventiva recusou prestar declarações ao coletivo de juízes e o outro negou todas as acusações.

Este arguido afirmou que a canábis apreendida em sua casa era da namorada, que dormia ali com frequência, negou ter ido a Espanha comprar droga, vender ao outro militar ou sequer produzir canábis, referindo que o material apreendido, como a balança, era usado também pela sua namorada.

Segundo o MP, um dos outros arguidos, de 36 anos e que também se encontra em prisão preventiva, dedicava-se de modo reiterado à venda de produtos estupefacientes diversos, como cocaína, canábis, erva e drogas sintéticas, tendo um vasto leque de clientes, residentes em Aveiro, Porto, São João da Pesqueira, Lamego, Vila Real e Sabrosa.

Este suspeito, segundo o MP, tanto vendia a droga diretamente ao consumidor como vendia a indivíduos que procediam também eles à venda, como o militar da GNR em prisão preventiva.

Este guarda, de acordo com a acusação, apesar das funções que desempenhava, "não se inibiu de se dedicar à venda a terceiros de droga, nomeadamente cocaína, haxixe, drogas sintéticas e canábis, isto pelo menos durante o período entre julho de 2017 e a data da detenção".

O arguido de 36 anos falou ao coletivo e confirmou os factos, assumindo a venda de estupefacientes, nomeadamente ao militar.

Referiu, no entanto, que desconhecia a atividade a que se dedicavam as pessoas a quem vendia e o que estas faziam com a droga.

O tribunal considerou relevante a confissão efetuada por este arguido.

O quarto arguido do processo também recusou prestar declarações ao coletivo de juízes do tribunal de Vila Real.

O guarda que está em prisão preventiva já foi alvo de um processo de dispensa de serviço, devido a um mau comportamento reiterado, incluindo o consumo de droga, que está para decisão do Ministério da Administração Interna.

A investigação a este caso de tráfico de droga começou em 2017 e foi delegada pelo Ministério Público à própria GNR.

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