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"Professores jamais aceitarão ser humilhados por qualquer Governo"

O secretário-geral da Fenprof considerou hoje inaceitável a "desconsideração" do ministro das Finanças pelos professores, adiantando que no encontro hoje em São Bento os docentes vão transmitir que querem negociar mas não aceitam ser "humilhados".

"Professores jamais aceitarão ser humilhados por qualquer Governo"

Em declarações à agência Lusa, Mário Nogueira considerou que na entrevista de Mário Centeno à RTP, na quarta-feira, "ficou clara a discriminação que está a ser feita aos professores do continente".

"Ontem (quarta-feira) o sr. ministro afirmou, aliás repetindo o que já tinha sido escrito num comunicado do ministério, que em apenas três anos os funcionários públicos irão recuperar nove anos de serviço. O Sr. ministro esqueceu-se de dizer: todos com exceção dos professores e poucos mais. De facto, mais de meio milhão de funcionários públicos recuperarão em apenas três anos todo o tempo congelado e em alguns casos com bonificação", disse.

O secretário-geral da Fenprof sublinhou "não estar contra", mas considerou que o "Governo tem muito respeito pela generalidade dos funcionários públicos, mas muita desconsideração pelos professores do continente".

Na entrevista à RTP, Mário Centeno não respondeu se o Governo está disposto a ir mais longe no descongelamento das carreiras da classe.

O ministro das Finanças sublinhou que a proposta do executivo, vetada pelo Presidente da República, tinha "uma lógica [...] que tem sentido de equidade para com as outras carreiras da função pública".

"A decisão que for tomada será responsável, robusta e passível de ser cumprida. A ideia é muito simples, de que não podemos dar passos maiores do que a perna e não podemos pôr em causa o futuro, até a carreira. Não é fácil", sublinhou Mário Centeno.

Mário Nogueira considerou a situação "inaceitável" e reafirmou que os docentes não vão admitir qualquer humilhação.

"Hoje iremos dizer no gabinete do primeiro-ministro que estamos disponíveis, no primeiro dia de aulas do segundo período, para iniciar as negociações, que devem ser rápidas e não devem ir além do meio de janeiro. Não há razão que o justifique e não iremos aceitar um arrastamento como aconteceu no ano passado", salientou.

O secretário-geral da Fenprof frisou que os professores têm direito a expressar-se e a exigir o que é seu.

"Os professores jamais aceitarão ser humilhados por este ou qualquer outro Governo. O tempo de serviço é para recuperar na totalidade como e até quando é isso que a lei do orçamento manda negociar", disse.

Mário Nogueira disse que os sindicatos vão entregar no gabinete de António Costa um documento com as propostas concretas dos docentes e mais tarde lançar um abaixo-assinado onde os professores reafirmam as suas exigências.

A plataforma sindical que tem negociado com o Governo a contagem integral dos nove anos, quatro meses e dois dias de tempo de serviço congelado dirige-se hoje à residência oficial do primeiro-ministro para a "entrega formal da proposta conjunta que assumiram no passado dia 18 de dezembro e que reflete a sua abertura negocial em todo este processo".

A luta pelo cumprimento do horário de trabalho semanal de 35 horas também volta hoje às escolas, com os professores a retomarem a greve a todas as atividades fora do seu horário legal, uma paralisação que tem tido efeitos sobretudo na realização de reuniões de avaliação.

Também hoje os sindicatos lançam nas escolas um abaixo-assinado para que os professores reafirmem as suas posições sobre o tema, assim como "a sua disponibilidade para continuar a lutar".

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