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Sá Carneiro foi "o contrário de um líder populista". Palavra de Marcelo

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que Francisco Sá Carneiro foi "o contrário de um líder populista" e que, se não tivesse morrido tão cedo, "teria provavelmente a chance de ser Presidente da República."

Sá Carneiro foi "o contrário de um líder populista". Palavra de Marcelo
Notícias ao Minuto

15:17 - 06/12/18 por Lusa

País Belém

Marcelo Rebelo de Sousa falava durante um encontro com alunos do ensino secundário e os atores Pedro Almendra e Inês Castel-Branco, que protagonizam o filme "Snu", sobre a história de amor entre o fundador do PSD e antigo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis, realizado por Patrícia Serqueira, com estreia marcada para março.

Neste encontro, o chefe de Estado contou que, pouco antes de embarcar no avião Cessna que cairia sobre Camarate, em 04 de dezembro de 1980, Adelino Amaro da Costa lhe deu conta de que "o estado de espírito de Francisco Sá Carneiro", caso Eanes fosse reeleito nas presidenciais de 07 de dezembro, "era sair de primeiro-ministro e ir para o parlamento fazer uma travessia do deserto".

Essa conversa com o então ministro da Defesa aconteceu quando "estava a fechar o Expresso, porque na altura era diretor do Expresso", referiu Marcelo Rebelo de Sousa, adiantando que Amaro da Costa lhe disse que "Francisco Sá Carneiro sai do Governo", mas "a Aliança Democrática (AD) continua, com outro primeiro-ministro".

"E o Expresso chega a ter uma primeira página preparada, com essa notícia de quem é que viria a ser o sucessor dele, e havia duas hipóteses: ou Eurico de Melo ou Cavaco Silva", relatou.

Durante esta iniciativa, organizada pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, no Palácio de Belém, em Lisboa, o Presidente da República questionou "o que seria Portugal se não tem havido Camarate", acrescentando: "Ninguém sabe, mas há coisas que parecem óbvias".

Quanto ao papel de Francisco Sá Carneiro na vida do país, defendeu que "parece muito difícil que ele não chegasse a primeiro-ministro" novamente, porque "teria tempo, era muito jovem" ainda, "e provavelmente, mais tarde, se o quisesse, Presidente da República".

"Nunca deixaria de ser politicamente militante. Teria a chance de vir a ser primeiro-ministro, mais tarde ou mais cedo. Teria provavelmente a chance de ser Presidente da República, porque ele não iria nunca desarmar", reforçou.

Nesta intervenção, que durou cerca de uma hora, Marcelo Rebelo de Sousa mencionou também perante jovens de três escolas secundárias que, "no dia em que ocorre Camarate", Sá Carneiro "tem uma reunião onde está quem viria a personificar a seguir a ele a liderança do partido e duradouramente a liderança do país e depois a Presidência da República: Cavaco Silva".

Nessa reunião, em que esteve também Amaro da Costa, foi debatido "o problema do financiamento das Forças Armadas no Orçamento do Estado para o ano seguinte, que era um ponto muito polémico e complicada", com os chefes militares, precisou.

Sobre o relacionamento entre Sá Carneiro e a editora dinamarquesa Snu Abecassis, que fundou a Dom Quixote, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "conheceu muito bem um e outro e acompanhou desde o início o seu conhecimento e a sua paixão", que "chocava os costumes daquele período", porque ambos tinham casamentos e o então primeiro-ministro não conseguiu o divórcio.

"Foi uma história de paixão muito intensa, muito improvável, muito contra os cânones da época, sobretudo à direita", descreveu.

O Presidente da República recordou Sá Carneiro como "um líder que apaixonava os seus apoiantes", alguém com "uma personalidade indomável" e "um olhar que uns dirão de águia, outros de falcão", que era "um democrata", pronto a afastar-se sempre que não tinha maioria para afirmar as suas ideias.

De acordo com o chefe de Estado, "era o contrário de um líder populista" e o país fica-lhe a dever "um dos partidos estruturantes da democracia", bem como "a capacidade que tinha de antecipar mudanças, que já não viu concretizar".

"Não viu nem o fim do Conselho da Revolução, nem o fim do poder militar, nem a integração na Europa, nem a mudança na economia, nem uma série de transformações. Não as viu, mas lutou por elas", elencou.

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