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"As touradas irão acabar" mas "não é por causa do IVA

O antigo líder bloquista fala de uma tradição a perder peso. "O debate é sobre uma tradição que está hoje muito mais nos livros do Hemingway(...) porque como prática cultural praticamente já desapareceu”.

"As touradas irão acabar" mas "não é por causa do IVA
Notícias ao Minuto

23:13 - 09/11/18 por Pedro Filipe Pina 

País Francisco Louçã

As touradas não vão ter direito à mesma descida de IVA de outros espectáculos, de cariz cultural.

A medida não foi bem acolhida entre aficionados mas o debate subiu de tom após a nova ministra da cultura, Graça Fonseca, ter argumentado que era uma questão de civilização.

Nas últimas semanas têm surgido várias reações, contra e a favor de touradas, e o tema não escapou à análise de Francisco Louçã no seu espaço de comentário na antena da SIC Notícias, onde considerou esta uma discussão “muito calorosa” e até “demasiado emocional”.

Para Louçã, há que desvalorizar algumas críticas. “Não há nenhum princípio de prepotência ou totalitarismo. Tudo isso creio que é mais a emoção do momento”. Ainda assim, há questões a ter em conta.

“Há uma tradição de touradas? Há. A tourada era historicamente em alguns casos o momento do ano em que os latifundiários se vestiam de gala e faziam a festa do touro, que era depois morto e repartida à carne pela população”. Mas “essa tradição tem vindo a desaparecer. Fui verificar que touradas é que há nos próximos meses… nenhuma”.

“Há algumas touradas no verão, algumas galas uma ou duas vezes por ano”, mas “a tourada já não existe como grande espectáculo, razão aliás pela qual eu penso que quem critica a tourada e pensa que é uma tradição que deve terminar, não é pelo IVA que vai fazer grande diferença”. Afinal de contas, está em causa uma descida de 13% para 6%, “o que significaria um euro no preço de uma tourada nas festas da Moita. Tudo isso é muito pouco relevante”.

Há uma tradição. Mas as tradições mudam. Houve um grande debate em Portugal sobre se poderia haver, só em casos excecionais, touros de morte”, relembrando o debate sobre Barrancos, “que foi aprovado por ser excecional”.

Entretanto, “houve outras formas de violência extrema, por exemplo a ‘sorte de varas’, que são lanças que picam o touro, que foram proibidas”, em referência a uma prática que em tempos ocorria nos Açores.

“Sistematicamente tem vindo a alterar-se o padrão da compreensão sobre o que é a violência e o sacrifício animal, tanto que, num caso já muito diferente, os tribunais aplicaram uma pena de prisão efetiva para alguém que matou uma cadela”, em referência a um caso recente de um animal esventrado pelo dono numa suposta tentativa de cirurgia caseira.

A conclusão, para Francisco Louçã, “é que as touradas irão acabar” e que tal acontecerá “no seu próprio processo”. “Não é por causa do IVA”.

“Acho que o debate é sobre uma tradição que está hoje muito mais nos livros do Hemingway e nos romances do século XX e antes disso do que propriamente como prática cultural, porque como prática cultural praticamente já desapareceu”.

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