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“Há uma má tradição por parte dos políticos de não prestarem contas"

Cavaco Silva explicou, numa entrevista dada esta sexta-feira, que escreveu ‘Quinta-feira e outros dias’ porque os portugueses têm o direito de saber porque tomou certas decisões. Na mesma entrevista recusou falar de Marcelo, mas falou de António Costa, Paulo Portas, do BES e até acusou o PCP e o Bloco de se "curvarem" ao PS.

“Há uma má tradição por parte dos políticos de não prestarem contas"

Aníbal Cavaco Silva explicou, esta sexta-feira, numa entrevista à SIC, que escreveu ‘Quinta-feiras e outros dias’ porque os portugueses têm o direito de saber porque tomou certas decisões enquanto Presidente da República e, desvalorizou as críticas ao segundo volume do livro, garantindo que isso só acontece porque existe uma “má tradição” de os políticos não prestarem contas à sociedade.

Em Portugal há uma má tradição dos que exercem cargos políticos elevados não prestarem contas. Enquanto Presidente da República, há um dever de reserva enquanto se exerce o cargo, mas depois de terminar as funções devemos explicar aos portugueses porque tomamos essas opções, porque fiz isto e não aquilo, porque dialoguei de uma forma com o Governo e não de outra forma. Os portugueses têm o direito de saber”, explicou.

Questionado sobre as declarações feitas sobre o atual primeiro-ministro no seu livro de memórias, o anterior Chefe de Estado desmente que esteja a criticar António Costa e diz mesmo que o tratou “de forma bastante simpática”.

“Só fiz elogios ao doutor António Costa, disse que era uma pessoa simpática, de sorriso fácil, que encara de forma descontraída com as dificuldades com que é confrontado, que não gosta de dizer que não ao que é pedido. Ele tem sido um profissional da política, está na política há muito tempo e eu até o elogio por isso, digo que é hábil, dizer isso é fazer uma crítica? Não, eu estou a fazer-lhe um elogio”, garantiu.

Quanto a Mário Centeno, Cavaco Silva admite que sempre considerou o ministro das Finanças “um bom economista”, mas relembra que, em 2016, o governante teve “sérias dificuldades”.

“Mário Centeno fez o Orçamento do Estado de 2016 e foi esse que eu acompanhei e ele teve sérias dificuldades, teve de fazer correções significativas. Agora está a atuar como Presidente do Eurogrupo e o que defende é o mesmo que está a aplicar aqui em Portugal”, disse acrescentando que o que o surpreende quanto aos mais recentes orçamentos é que o PCP e o Bloco de Esquerda se tenham “curvado” perante o PS.

O que mais me surpreendeu foi a forma como o partido comunista e o BE se curvaram perante a realidade e abandonaram a ideologia porque eu conhecia de alguma forma o discurso coerente destes partidos, mas essa coerência não resistiu ao choque da realidade, principalmente, às regras que vêm da Comunidade Europeia”, referiu

Já quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, o social-democrata recusou-se a comentar tanto a figura como a postura do atual Presidente da República. “Por princípio nunca comentei o atual Presidente da República, nem os anteriores, nem o vou fazer no futuro. Cada presidente faz a presidência que entende que melhor serve os interesses do país na altura em que ocupa o cargo”, concluiu.

“O Caso BES não merecia um capítulo”

Durante a entrevista houve tempo ainda para falar do Caso BES. Questionado sobre a ausência de um capítulo sobre o BES, Cavaco Silva explica que não escreveu sobre o caso porque o Presidente da República “não exerce funções no domínio financeiro”, garantindo ainda que não fala em Ricardo Salgado, tal como não escreve sobre presidentes de outros bancos.

“O caso BES não merecia um capitulo no meu livro. O Presidente da República não exerce funções executivas nem desempenha qualquer função no domínio financeiro e eu, sobre esse caso, era informado quer pelo primeiro-ministro, quer pelo governador do Banco de Portugal [...] recebia com alguma frequência os presidentes dos bancos, portanto, não refiro o doutor Ricardo Salgado como não refiro os outros”, esclareceu.

Sobre se voltaria a confiar “cegamente” no Banco de Portugal, Cavaco Silva admitiu que o voltava a fazer. “Todos nós temos de confiar no supervisor, eu não tenho conhecimentos das milhares de transações que são registadas num banco. É assim em todos os países! Num só dia ocorrem milhões de transações bancárias, não é um Presidente da República que pode duvidar do que faz o supervisor com toda a informação que recebe”, frisou.

A demissão “irrevogável” de Portas

Paulo Portas é também um dos visados do livro do antigo Presidente da República. Cavaco Silva considera que a forma como o ex-líder do CDS-PP anunciou a sua demissão do Governo, em 2013, “foi um absurdo total”.

“O doutor Paulo Portas, como líder do CDS e como ministro dos Negócios Estrangeiros, desempenhou um papel também significativo para que Portugal não tivesse um segundo resgate, mas quando, no mês de julho de 2013, anuncia publicamente a sua demissão e publica um comunicado, que está disposição de todos, um Presidente da República não pode deixar de sentir que isso criou uma enorme crise política. E isso passa-se poucas horas antes de eu dar posse à ministra das Finanças, achei de facto um absurdo total. O comunicado que ele fez demonstra uma desconfiança total em relação à ministra”, explicou.

Em jeito de conclusão, Cavaco Silva desvalorizou que os seus índices de popularidade como Presidente da República tenham sido os mais baixos de sempre e sublinhou que tem “uma gratidão profunda aos portugueses” por lhe terem dado “a oportunidade de servir o país como primeiro-ministro durante 10 anos e como Presidente da República durante mais 10”.

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