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Só um enfermeiro para casos agudos durante a noite? IPO-Porto nega

De acordo com uma denúncia reportada ao Notícias ao Minuto, o IPO-Porto tem apenas um enfermeiro e um auxiliar fisicamente presentes no Serviço de Atendimento Não Programado durante a noite. Instituto desmente, assegurando que a equipa é constituída por médicos, cirurgiões e anestesistas.

Só um enfermeiro para casos agudos durante a noite? IPO-Porto nega

Um paciente oncológico que seja acompanhado no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, mediante um episódio de urgência, nomeadamente devido a uma “situação aguda” que seja motivada pela doença ou até pela “terapêutica” pode recorrer, durante 24 horas por dia, ao Serviço de Atendimento Não Programado (SANP).

De acordo com uma denúncia reportada ao Notícias ao Minuto, se o doente com cancro chega a este serviço da unidade hospitalar no período da noite, encontrará apenas um enfermeiro e um assistente operacional para o receber.

O serviço de admissão que, ao longo do dia, é assumido por um administrativo, passa durante este período a estar sob a égide do enfermeiro. E é este mesmo enfermeiro que faz a triagem e, em caso de necessidade, contacta telefonicamente um médico para que este se dirija ao SANP e preste, deste modo, os cuidados necessários ao episódio agudo.

Além desta situação configurar, na ótica da mesma fonte, “uma acumulação de funções”, pode também “colocar em causa o bem-estar do paciente e até a intervenção clínica atempada que, tantas vezes, pode fazer a diferença”.

Se, num cenário hipotético, recorressem ao SANP, durante a noite, cinco doentes em diferentes horários, “não haveria problema”. Porém, a situação já não é a mesma se chegarem ao serviço, por exemplo, “dois doentes ao mesmo tempo”. E este cenário é ainda agravado se a assistente operacional se tiver deslocado a um dos pisos do internamento. Neste caso, “temos um enfermeiro sozinho com dois doentes que podem estar em estado grave”.

Há mais situações de enfermeiro-único, garante bastonária

Contactada pelo Notícias ao Minuto, Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, embora desconhecendo a realidade do Serviço de Atendimento Não Programado do IPO-Porto, assegura que esta situação se replica noutras instituições de saúde durante o período noturno. “Há, de facto, uma grande carência de enfermeiros e à noite, ao fim de semana e nas férias, as equipas são reduzidas”, constata. Ora, “a pergunta que coloco aos responsáveis é: Durante a noite, ao fim-de-semana e nas férias os doentes vão embora? Não, ficam no hospital e continuam a precisar de cuidados”.

Ter um enfermeiro sozinho é “um risco acrescido para a vida dos doentes”De acordo com Ana Rita Cavaco, esta questão do “enfermeiro único” já tinha sido abordada pelo ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, “que concordava que a situação não se poderia verificar”. Ter um enfermeiro sozinho é “um risco acrescido para a vida dos doentes”. A bastonária vai mais além e defende mesmo que, perante dois pacientes graves ao mesmo tempo, e estando o enfermeiro sozinho, este profissional “não pode ser confrontado com essa escolha”.

Mas esta situação não é única, frisa Ana Rita Cavaco. “Ainda há pouco tempo falei sobre a realidade do Hospital do Litoral Alentejano e do Hospital da Covilhã, onde persiste um cenário que nunca vi em 21 anos de enfermagem. Na Covilhã os enfermeiros não conseguem trabalhar”. Perante estas circunstâncias, a bastonária reforçou o pedido de audição por parte do Ministério da Saúde.

Ana Rita Cavaco aproveita a oportunidade para apelar aos profissionais da classe que defende que apresentem situações como esta à Ordem. “Não conseguimos obrigar a tutela, mas conseguimos pressionar e já alcançámos algumas conquistas que, não sendo as ideais, são importantes”.

A este respeito a Ordem dos Enfermeiros disponibiliza um regulamento onde consta uma fórmula que permite o calcular o número de enfermeiros necessários em função de critérios como o número de camas, de acordo com normas internacionais. Mas esta fórmula “é aplicada apenas a serviços gerais”, não podendo ser reproduzida em situações de doentes específicos. Aliás, acrescenta, “pelas visitas que faço, contam-se pelos dedos de uma mão os serviços com cálculo seguro”.

Esta norma foi, entretanto revista, para que passasse a prever os cuidados especializados e outras áreas como a saúde mental e a materna, onde só era considerado uma paciente e não dois ou três se se atender ao/s filho/s. “Era preciso limar arestas e o documento será brevemente disponibilizado para consulta dos enfermeiros”.

IPO-Porto nega denúncia 

Confrontado com a situação, o Conselho de Administração do IPO-Porto esclarece que o SANP “não faz parte da rede de serviços de urgência do país”. A instituição defende ainda que a situação descrita “não corresponde à verdade”. De acordo com o Instituto, “a equipa do Serviço de Atendimento Não Programado (SANP), durante a noite (22h00-8h00), é constituída por três médicos, dois cirurgiões, um anestesista, um enfermeiro e um assistente operacional”.

O Notícias ao Minuto tentou ainda contactar o Ministério da Saúde, mas não obteve resposta em tempo útil.

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