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Greve de professores deixa alunos sem aulas em Lisboa, Setúbal e Santarém

Muitos alunos das escolas de Lisboa, Setúbal e Santarém ficaram hoje de manhã sem aulas devido à greve nacional dos professores, que começa por afetar esta três regiões do país, constatou a Lusa.

Greve de professores deixa alunos sem aulas em Lisboa, Setúbal e Santarém
Notícias ao Minuto

13:12 - 01/10/18 por Lusa

País Protesto

Recreios com mais alunos do que é habitual no decorrer dos horários das aulas era o sinal mais visível da greve em algumas escolas de Lisboa.

Dos estabelecimentos de ensino visitados pela Lusa, apenas a Escola Fernando Pessoa, nos Olivais, enviou os alunos para casa, como contou à Lusa a mãe de dois alunos que frequentam aquela escola.

Cerca das 08:00, antes do toque de entrada nas escolas básicas Pedro Santarém e Quinta de Marrocos, em Benfica, alguns pais questionavam os funcionários para saber se iria haver aulas, aos quais estes respondiam que tinham de esperar, pois não sabiam quais os professores que iam aderir à greve.

Também em Santarém, muitos alunos vagueavam ao princípio da manhã pelos pátios ou, os mais velhos, pelos jardins e ruas das proximidades.

Todos os estabelecimentos de ensino da cidade de Santarém estão abertos, mas em várias escolas do primeiro ciclo nenhum professor compareceu, estando o município a recolher indicação junto dos funcionários para cancelar as refeições escolares ou adequar ao número de alunos com aulas, como é o caso do Centro Escolar de S. Domingos, onde só uma turma está a ter aulas.

Maria do Céu Silva, da delegação de Santarém do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, disse à Lusa que, embora ainda não existam dados sobre a adesão, a "perspetiva é boa".

"Razões não nos faltam", afirmou, acrescentando esperar que a adesão à greve neste primeiro dia "seja forte" para "movimentar os professores" para uma semana de protesto.

Em Setúbal, a greve obrigou ao encerramento de algumas escolas e deverá ter uma adesão de cerca de 80%, de acordo com uma estimativa do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL).

"De acordo com os dados de que já dispomos em diversas escolas e a confirmar-se esta tendência, admitimos que a adesão à greve no distrito de Setúbal poderá ser superior a 80%", disse à agência Lusa a professora Brígida Baptista, do SPGL.

"Além das escolas encerradas, há outras que têm uma adesão à greve superior a 90% e que também deveriam ter sido encerradas por razões de segurança", acrescentou

Segundo Brígida Baptista, "no concelho de Almada há várias escolas encerradas: Escola Secundária Romeu Correia e Escola do 2º e 3º ciclo Alembrança, no Feijó, Escola do 2º e 3º ciclo Vale Rosal, na Charneca da Caparica, e EBJI do Pragal".

"Há outras escolas que estão com uma adesão à greve na ordem dos 90% e que permanecem de portas abertas, mas que deveriam ter sido encerradas por razões de segurança", frisou.

De acordo com o SPGL, o cenário é idêntico nos concelhos do Barreiro e da Moita, onde o sindicato diz já ter informação de diversas escolas encerradas, designadamente a EB2 de Alhos Vedros (Moita) e a EB1 do Lavradio (Barreiro), e outras com forte adesão à greve que se situa entre os 50% e 80%.

Cenário bem diferente, e que parece contrariar a previsão do SPGL, em duas das principais escolas da cidade de Setúbal, Escola Secundária de Bocage e Escola Secundária Sebastião da Gama, de acordo com a informação disponibilizada pelas direções daqueles estabelecimentos de ensino.

A direção da Escola Secundária de Bocage garante que a escola está a funcionar normalmente e que apenas terão faltado às aulas "cerca de 10% dos professores", não havendo sequer a certeza de que todos estejam a faltar por terem aderido à greve.

Na Escola Secundária Sebastião da Gama, também em Setúbal, segundo informação da direção, há apenas "cinco professores em greve".

Os professores iniciaram hoje uma greve que vai durar até quinta-feira e terminar com uma manifestação nacional, para exigir que nove anos, quatro meses e dois dias de trabalho sejam contabilizados na progressão de carreira.

A greve foi convocada por 10 estruturas sindicais de professores no dia em que o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, esteve no parlamento, a pedido do PCP, para debater o arranque do ano letivo.

As negociações para a recuperação do tempo de serviço congelado foi um dos temas que marcou o debate com os deputados do PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes a defenderem a recuperação integral, para efeitos de contagem de tempo de carreira, dos anos de serviço que trabalharam.

De acordo com a plataforma que reúne todos os sindicatos de professores, à exceção do recém-criado Sindicato de Todos os Professores (S.T.O.P), os docentes que queiram podem fazer greve na totalidade ou em apenas alguns destes dias.

Na terça-feira os distritos mais afetados serão Portalegre, Évora, Beja e Faro e na quarta-feira Coimbra, Aveiro, Leiria, Viseu, Guarda e Castelo Branco.

Na quinta-feira, o protesto chegará ao Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança.

Os professores dos Açores assim como os docentes em exercício de funções no Ensino Português no Estrangeiro também participam na contestação.

Os motivos da greve prendem-se não apenas com a recuperação integral do tempo de serviço, mas também com a necessidade de resolver a questão da aposentação, da sobrecarga horária e da precariedade.

Os sindicatos lembram que neste caso não há lugar à fixação de serviços mínimos.

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