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Associação replica em Almada missões internacionais de ajuda

A associação Leigos para o Desenvolvimento replicou num bairro problemático de Almada a experiência de três décadas em missões internacionais de ajuda a pessoas carenciadas, numa iniciativa inédita no país.

Associação replica em Almada missões internacionais de ajuda
Notícias ao Minuto

14:00 - 11/08/18 por Lusa

País Associação

Constança e Marta são as duas voluntárias que aceitaram estar longe da família e amigos para se dedicarem à comunidade dos bairros da Caparica e Pragal, no concelho de Almada.

As voluntárias vivem exatamente da mesma forma como quando estão lá fora em missão. Durante oito meses, a sua casa é uma residência da paróquia local e raramente vão a casa.

Com apenas 26 anos, Constança já fez voluntariado na Índia, Moçambique e Etiópia. Agora está responsável por desenvolver um projeto com os jovens do bairro, onde o abandono escolar precoce, a desocupação e o desemprego são alguns dos problemas.

Ali, muitos acabam por seguir o caminho do crime e, entre os que arranjam trabalho, são raros os que se sentem realizados.

"Os jovens têm sonhos, projetos de vida, mas aqui, o que se sente, é que deixaram de sonhar. Têm um trabalho de que não gostam. Não estão a seguir os seus sonhos. A nossa ideia é despertar talentos", conta à Lusa.

Constança tem feito reuniões para discutir com os jovens o que pode ser feito. Cristalina Rodrigues, de 28 anos, foi a primeira a aparecer nesses encontros.

"Tentamos ajudar o bairro a livrar-se da delinquência e de outras atividades perigosas", conta à Lusa Cristalina Rodrigues, lamentando os "imensos jovens que não trabalham, não estudam, ou não têm qualquer formação".

Na última reunião, Cristalina ficou surpreendida com a adesão ao projeto, que começou com apenas quatro raparigas: "Até eu, que sou ´bocuda´, fiquei calada porque havia tanta gente com ideias e interesses. Éramos mais de 20, fiquei surpreendida".

Este foi o resultado do trabalho realizado no terreno, onde foram atraindo jovens, um a um.

Também Marta Barreiras, 29 anos, está responsável por um projeto: lançar as bases para que as mulheres do bairro possam criar o seu próprio negócio.

"As pessoas precisam de ajuda tanto lá como cá. A diferença é que a pobreza cá é mais escondida", resume a jovem, que esteve dois anos a fazer voluntariado em São Tomé. Agora, faz em Portugal o que habitualmente fazia lá fora.

Nas missões no estrangeiro, Marta e Constança participaram em projetos que já estavam há muito a funcionar e onde os voluntários já eram conhecidos. No Pragal, a confiança ganha-se pessoa a pessoa.

"A principal diferença entre as missões lá fora e esta tem a ver com o facto de este projeto ainda estar numa fase inicial. Lá fora, já toda a gente nos conhece. Vou a casa das pessoas, sento-me com elas. Aqui ainda não. Ainda precisamos de nos dar a conhecer", desabafa Marta Barreiras.

Apesar disso, Constança garante que foram bem acolhidas desde o primeiro dia, o que "acabou por ser uma boa surpresa", já que existia a ideia de ser um bairro violento, devido ao tráfico de droga e desocupação de muitos moradores. Os problemas existem, estão lá, mas até hoje nunca aconteceu nada.

Marta diz que a principal barreira foi mesmo o preconceito: "Sentia-me insegura quando aqui cheguei pelo que tinha ouvido falar. Mas depois percebi que é tranquilo".

Dina Gomes trabalha há vários anos numa antiga associação do bairro e garante que escolheram as voluntárias com o perfil certo: "São super bem-dispostas, animadas e conseguiram enturmar-se muito bem, o que não é nada fácil", sublinha a responsável, que se autointitula de uma "menina do bairro que decidiu estudar".

Dina conta que a chegada dos Leigos ao bairro foi "uma lufada de ar fresco", porque as duas jovens vieram com ideias novas e outra visão para ajudar a comunidade a crescer. "Tem sido uma parceria fantástica", saúda.

Constança, que tirou um mestrado em Desenvolvimento e Políticas Sociais, acredita que esta é uma experiência de vida em que se ganha mais do que se dá, apesar dos sacrifícios: "Não vou jantar com amigos sempre que me apetece. Não estou com a minha família sempre que quero. Mas é uma escolha que leva a um bem muito maior. Esta experiência é de uma riqueza enorme a nível profissional e pessoal".

Marta resume aquela opção de vida em poucas palavras: "É uma entrega total, é um deixar de viver para nós para viver para os outros".

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