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  • 11 AGOSTO 2022
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Biomassa pode ajudar na prevenção de fogos

O presidente da Associação dos Produtores de Energia e Biomassa (APEB), Carlos Alegria, defende que se as centrais de biomassa planeadas estivessem em funcionamento podiam consumir um milhão de toneladas de resíduos florestais por ano, ajudando a prevenir os incêndios.

Biomassa pode ajudar na prevenção de fogos

O anterior Governo de José Sócrates abriu concurso para a construção de 15 centrais, que deviam estar a funcionar até ao final do ano, mas apenas duas estão a produzir energia (uma em Mortágua e outra, de Carlos Alegria, em Oliveira de Azeméis), devendo arrancar em breve a construção de uma terceira, no Fundão.

“A razão por que não se avançou foi falta de capacidade financeira. A banca não empresta. Mesmo a [central] do Fundão vai ser financiada na totalidade por um banco brasileiro”, justificou o presidente da APEB.

As centrais de biomassa produzem energia termoelétrica a partir de matéria orgânica, como os resíduos florestais ou agrícolas.

Carlos Alegria garante que há "biomassa que chegue" e só não há mais queima por falta de capacidade das centrais, estimando que se todas as centrais estivessem em funcionamento consumiriam um milhão de toneladas de resíduos florestais por ano e podiam dar emprego a três mil pessoas, ajudando a limpar as florestas e a fixar as populações no interior.

A central de Oliveira de Azeméis, por exemplo, usa 250 a 300 toneladas de resíduos por dia, totalizando cerca de 110 mil toneladas anuais.

“Se se pretende fazer limpeza das florestas no futuro, as centrais de biomassa têm de estar presentes e a funcionar senão depois o que é que fazem aos resíduos florestais? Queimam-nos na beira da estrada?”, questionou.

Acrescentou ainda que limpar o mato terá um custo menor se os resíduos forem entregues a uma central de biomassa “que paga por eles”, embora reconheça que fazer a limpeza da floresta “não é barato”.

Uma tonelada de resíduos pode render a quem a vende entre 15 a 30 euros, dependendo do material entregue. Em troca, as centrais recebem 117 euros por megawatt/hora (MW/h) injetado na rede.

As centrais dedicadas “usam tudo aquilo que não vai para as fábricas de pasta de papel”, que possuem também centrais para produzir energia elétrica e calor (processo conhecido como cogeração), aproveitando essencialmente os seus próprios resíduos, explicou Carlos Alegria.

A garantia de abastecimento das centrais é outra questão importante para fomentar o desenvolvimento do setor, defendeu a presidente do Centro da Biomassa para a Energia, Piedade Roberto.

“É urgente que se tomem medidas para incentivar uma maior produção e disponibilização da biomassa atualmente produzida (...), seja pelo aumento da capacidade produtiva da floresta, nos seus moldes tradicionais, seja através do surgimento de novas culturas de espécies de crescimento rápido para fins energéticos”, frisou numa resposta escrita enviada à Agência Lusa.

Para esta responsável, “a utilização de biomassa não se esgota na produção de eletricidade”, mostrando grande potencial também no mercado de calor.

“Em 2020, prevê-se que a utilização da biomassa venha a ser incrementada, em especial no setor doméstico, com o recurso a sistemas eficientes e de bom desempenho ambiental, nomeadamente recuperadores de calor e caldeiras a peletes”, afirmou.

Carlos Alegria acredita que “algo vai ser feito” para impulsionar o setor e lembrou que o Governo prolongou os incentivos destinados às centrais de biomassa aprovadas nos concursos para atribuição de capacidade de injeção na rede elétrica nacional, que terminavam no final do ano, até 2016 e 2017.

Segundo o Centro da Biomassa para a Energia existem atualmente 662 MW de capacidade instalada, dos quais 459 em cogeração e 117 MW em centrais dedicadas, prevendo-se uma capacidade instalada total de 769 MW em 2020.

Os incêndios devastaram este ano mais de 94 mil hectares de floresta (até ao final de agosto, segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) e provocaram a morte a oito bombeiros.

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