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Polícia Judiciária aperta o cerco. Afinal, quem são os Hells Angels?

A presença do grupo motard em Portugal é conhecida desde 2002.

Polícia Judiciária aperta o cerco. Afinal, quem são os Hells Angels?
Notícias ao Minuto

09:15 - 12/07/18 por Filipa Matias Pereira 

País Grupo motard

"Nobody will destroy our culture” - Ninguém vai destruir a nossa cultura -, esta é a expressão de boas-vindas do grupo motard Hells Angels no seu site oficial. Porém, esta quarta-feira, a Polícia Judiciária, em conferência de imprensa, garantiu que, com a megaoperação que decorreu em território nacional e da qual resultaram 56 detidos, número entretanto revisto em alta para 59, foi dada “uma machadada na organização do grupo”.

Tratou-se, com efeito, de uma operação onde estiveram envolvidos cerca de 400 agentes da força de segurança e as diligências decorreram em cidades como Porto, Aveiro, Lisboa, Almada e Setúbal. Em causa estão, recorde-se, ilícitos de atividade criminosa comum como "lenocínio, tráfico de armas e de droga, extorsões e criminalidade violenta não conotada com ideologias políticas", explicou Manuela Santos da Polícia Judiciária.

Ora, mas quem são os Hells Angels? Esta é a questão que se impõe.

Descrito pelas autoridades como uma rede organizada de criminalidade violenta, o grupo tem em Portugal cinco motoclubes, nomeadamente em Lisboa, Cascais, Margem Sul, Porto e Algarve, e acredita-se que a sua expressão tem ganhado projeção em território nacional ao longo dos últimos tempos.

Aliás, ao grupo motard é imputada, em março deste ano, a agressão em massa num restaurante sito na Rua de Moçambique, no Prior Velho, da qual resultaram seis feridos, três dos quais em estado considerado grave. Os cerca de 20 elementos motards, de acordo com informações do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa na altura, terão entrado no estabelecimento comercial com facas, paus e martelos.

E mais um ataque, acredita a Polícia Judiciária, estava iminente. Com a proximidade da Concentração Motard de Faro, que decorrerá de 19 a 22 de julho no Sul do país, tornava-se imperiosa a precipitação da atuação da força de segurança. Corria-se o sério risco de aumento de violência face ao grupo rival Red & Gold, ligado aos norte-americanos Los Bandidos.

O que se sabe sobre os Hells Angels?

Notícias ao MinutoGrupo Motard© Reuters

O militar da GNR Edgar Palma debruçou-se sobre o tema numa análise académica no âmbito do Mestrado em Direito e Segurança subordinada ao tema ‘Hells Angels: A ameaça transacional em Portugal’.

Conforme apurou o militar, a principal ameaça dos elementos deste grupo que teve origem nos anos 40 nos EUA “é alarmante pela facilidade com que todos recorrerem a diversas formas de violência extrema, o que pode até mesmo incluir o uso de espingardas automáticas kalashnikov, e de explosivos tais como granadas de mão, para fazer face a disputas de território”.

De uma forma geral, acrescenta na tese realizada na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, “o uso de violência e de formas de intimidação é intrínseca a estes grupos e serve até como forma de controlar o crescimento de outros motoclubes”. Porém, acredita-se que as rivalidades não se verificam apenas contra outros motoclubes, já que ocorrerem também contra gangues e grupos dedicados às atividades criminosas. Esta é, aliás, uma conclusão também da Europol num estudo levado a cabo em 2002.

A presença do grupo motard em Portugal é conhecida desde 2002 e apresenta um núcleo fechado “de difícil intrusão de agentes infiltrados, não só pelos requisitos exigidos, mas também devido ao risco que pode representar o violento processo de separação”, explica ainda Edgar Palma.

Megaoperação em Portugal não foi inédita

A presença do grupo organizado em vários países já determinou a intervenção de forças de segurança de diferentes nacionalidades como é o caso dos EUA e de Espanha.

Nos EUA, por exemplo, foi levada a cabo uma grande operação denominada ‘Black Biscuit’, sendo que a polícia local desenvolveu esforços para agir contra o álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos, recorrendo para tal a agentes infiltrados na estrutura durante 21 meses.

Já em Espanha, conforme refere o Diario de Mallorca, a operação ‘Casablanca’ resultou na detenção de 25 elementos do grupo, entre os quais se encontravam responsáveis máximos pelo Hells Angels de Maiorca.

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