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Professores. "Recurso sistemático às greves está a banalizar-se"

Miguel Sousa Tavares disse que, pela lei, os professores têm direito a reivindicar os nove anos de carreira que estiveram congelados durante a crise. Mas, se assim for, "ficam em situação privilegiada em relação ao resto da Função Pública".

Professores. "Recurso sistemático às greves está a banalizar-se"

Miguel Sousa Tavares afirmou esta segunda-feira que os professores reivindicam algo a que têm direito -  as progressões automáticas na carreira. No entanto, frisou também que as progressões na carreira dos professores são três vez mais rápidas do que no resto da Função Pública.

“E é isso que está em causa”, considerou, notando que se os professores tiverem “os tais nove anos e seis meses de que fala a Fenprof em vez dos dois anos e nove meses que o Governo quer, eles ficam situação privilegiada em relação ao resto da Função Pública”.

“Repito, pela lei e pelo estatuto têm direito a isso, a questão é uma questão de justiça”, realçou o comentador, tecendo uma comparação com o que o setor privado sofreu durante os anos de crise. 

“E se pensarmos que a crise que levou à suspensão das progressões automáticas [na Função Pública], levou a que no sector privado a que 300 a 400 mil pessoas tenham perdido o seu emprego, a que muitas delas tenham emigrado e que muitas, ou quase todas, não tivessem sido aumentadas durante os anos que durou a crise, e não vão sê-lo retroativamente seguramente, então comparemos as situações”, acrescentou.

Por outro lado, prosseguiu na sua análise, “acho que este recurso sistemático às greves que se está a banalizar”.  "Há o pré-aviso de greve para o dia 18, isso significa que em princípio haverá exames mas não haverá saída de notas. Os alunos vão para férias, e os pais levam os filhos para férias sem saber se passaram de ano, sem se puderem organizar as turmas para o ano que vem, sem saber que livros vão comprar, como é que vai ser o ano lectivo?", questionou o escritor. 

No seu entendimento, se houver greve aos exames nacionais, o cenário será "pior ainda". "O que é que irá na cabeça de um aluno que é estimulado a trabalhar o ano inteiro para ter uma avaliação final? E como é que um professor terá autoridade para dizer a um aluno para estudar?", interrogou-se, por fim. 

Após a reunião de hoje com o ministro da Educação, recorde-se, o líder da Fenprof contactou outras estruturas sindicais, entre as quais a Federação Nacional da Educação, tendo chegado a acordo para manter a greve às avaliações a partir do dia 18

As estruturas sindicais acordaram ainda a hipótese de os professores poderem avançar para uma greve aos exames nacionais assim como às aulas que ainda estão a decorrer até ao final do ano letivo e a tarefas burocráticas, como o lançamento de notas.

A decisão de avançar para estas formas de luta será tomada e conhecida apenas na próxima quarta-feira, à tarde, depois de terminadas as reuniões agendadas entre todos os sindicatos e o Ministério da Educação. "Os professores não são filhos de um deus menor", afirmou Mário Nogueira, lembrando que a grande maioria dos trabalhadores da Função Pública viu recuperado todo o tempo de serviço.

O secretário-geral da Fenprof voltou a recordar que os professores "não estão a pedir bonificações", mas sim o direito ao "tempo que trabalharam, que estiveram nas escolas e cumpriram com os seus deveres profissionais".

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