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Foi professor durante 17 anos mas escondia um segredo inimaginável

Passou pela escola, pela universidade e acabou por se tornar professor durante os anos 60.

Foi professor durante 17 anos mas escondia um segredo inimaginável
Notícias ao Minuto

08:36 - 17/04/18 por Sara Gouveia

Mundo EUA

John Corcoran cresceu no Novo México, nos Estados Unidos, durante os anos 40 e 50. Era um de seis irmãos e depois da universidade acabou por escolher tornar-se professor, uma carreira que seguiu durante 17 anos.

Mas John tinha um segredo inimaginável... não sabia ler nem escrever.

À medida que os anos iam passando, os professores iam-no passando de ano, com esperança de que eventualmente aprendesse a ler. Diziam: "ele é um rapaz esperto, ele vai aprender". E John ia passando de ano.

"Quando cheguei ao quinto ano, tinha basicamente desistido de mim no que dizia respeito à leitura. Acordava todos os dias, vestia-me, ia para a escola e era como se fosse para a guerra. Detestava as aulas. Era um ambiente hostil, em que tinha de encontrar uma forma de sobreviver", conta à BBC.

Quando chegou ao sétimo ano, passava a vida no gabinete do professor, estava sempre metido em confusões e acabou mesmo por ser expulso da escola. "Não era o que eu sentia por dentro. Eu queria ser bom aluno, só não conseguia".

A partir desse momento, John decidiu que ia comportar-se, ia fazer tudo o que fosse preciso para combater o sistema. "Tinha algumas habilidades atléticas, de matemática e principalmente sociais. Comecei a dar-me com pessoas que já andavam na faculdade, namorei com a aluna com melhores notas e arranjava forma de as pessoas - principalmente as raparigas - fazerem os trabalhos de casa por mim".

"Sabia escrever o meu nome e havia algumas palavras de que me lembrava, mas não conseguia escrever uma frase. Nunca disse a ninguém que não sabia ler", revela.

John acabou por conseguir terminar o ensino secundário e chegar à faculdade com uma bolsa de desporto completa e mesmo aí tudo se conseguia resolver.

Como John fazia parte de uma república de estudantes, estes tinham cópias dos exames antigos e quando não era esse o caso, ele arranjava forma de alguém o ajudar.

"Num dos exames, o professor pôs quatro perguntas no quadro. Eu estava ao fundo da sala, perto da janela. Tinha o meu livro azul e tentei de alguma forma copiar exatamente as perguntas, não fazia ideia do que diziam, mas tinha pedido a um amigo meu, um dos miúdos mais inteligentes da escola, para que estivesse fora da janela e me ajudasse e assim foi, passei-lhe o livro pela janela e assim foi", recorda.

Entre essas e outras peripécias, John acabou por se licenciar e como havia falta de professores ofereceram-lhe trabalho. "Eu ensinei várias coisas. Fui professor de atletismo, de estudos sociais, ensinei dactilografia - conseguia copiar 65 palavras por minuto, mas não sabia o que estava a copiar. Nunca escrevia no quadro e nunca havia palavras nas minhas aulas, tínhamos muitas discussões e víamos muitos filmes".

Um dos maiores medos de John era o de ser apanhado e se com os alunos isso não era um problema, "porque ninguém desconfia do professor", quando tinha reuniões com os outros docentes a história era diferente. Mas tinha sempre um plano B e nunca foi apanhado.

Acabou por se casar e a única pessoa a quem contou que não sabia ler foi à mulher. Mas esta só teve realmente noção do que ele queria dizer quando um dia estava a ler para a filha de ambos e ao deparar-se com um livro com uma história que ele não conhecia, o ouviu a inventar outras histórias. "Tu não lês como a mamã", disse-lhe a filha. E foi aí que a mulher o viu a tentar ler um livro de crianças, sem conseguir.

Uns anos mais tarde, já depois de ter deixado o seu trabalho, John inscreveu-se num programa de literacia para adultos. Sete anos depois já conseguia ler com um ritmo de um aluno de sexto ano. "Pensei que tinha morrido e ido para o céu", confidencia.

John quis, acima de tudo, contar a sua história para ajudar outros na mesma situação. "Quero que as pessoas saibam que já esperança, há uma solução. Não somos burros, nunca é tarde demais".

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