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Stephen Hawking foi inspiração para milhões e deixa "legado inesquecível"

A Universidade de Cambridge destacou hoje o papel do famoso físico britânico Stephen Hawking, que morreu esta madrugada, sublinhando que foi "uma inspiração para milhões" de pessoas e que deixa no mundo "um legado inesquecível".

Stephen Hawking foi inspiração para milhões e deixa "legado inesquecível"
Notícias ao Minuto

08:39 - 14/03/18 por Lusa

Mundo Univ. Cambridge

Stephen Toope, vice-reitor da instituição, na qual trabalhava Hawking, disse que o reputado professor foi um "indivíduo único", que será recordado com carinho, não só pela universidade, mas por todo o mundo.

"As suas contribuições excecionais para o conhecimento científico e para a popularidade da ciência e das matemáticas deixaram um legado inesquecível", acrescentou o responsável.

"O seu caráter foi uma inspiração para milhões", sublinhou Toope.

Hawking, era membro de um dos colégios da Universidade de Cambridge, que hoje abrirá um livro de condolências.

Depois de se conhecer a morte de Hawking, o inventor da web, Tim Berners-Lee destacou na sua conta na rede social Twitter que o mundo "perdeu uma mente colossal e um espírito maravilhoso".

"Stephen Hawking, descansa em paz", escreveu.

O físico James Hartle, que trabalhou com Hawking, disse à BBC que o físico "inspirou muitas pessoas" e sublinhou que Hawking "tinha uma habilidade maravilhosa para ver toda a confusão que há na física e perceber quais eram os pontos essenciais".

"As minhas recordações dele são em duas frentes: primeiro, no nosso trabalho juntos como cientistas, e, depois, como um ser humano cuja história é triunfante face à adversidade", acrescentou Hartle.

Por seu lado, o astronauta britânico Tim Peake escreveu na sua conta no Twitter que o físico "inspirou gerações ao ver mais além do nosso planeta azul e ao ampliar o nosso entendimento do universo".

Comentando a morte de Stephen Hawking, o famoso astrónomo Wendy Freedman, diretor do Observatório de Carnegie, afirmou que a principal contribuição de Hawking foi envolver o público na ciência "de uma maneira que talvez não tenha acontecido desde Einstein".

"Ele tornou-se um ícone devido a uma mente que estava além do comum dos mortais... As pessoas não entendiam exatamente o que ele estava a dizer, mas sabiam que ele era brilhante. Talvez haja um elemento humano da sua luta que faz com que as pessoas parem para prestar atenção", acrescentou.

O cosmólogo Michael Turner, da Universidade de Chicago, por seu lado, disse que Stephen Hawking "abordava as questões mais importantes para os cientistas: o nascimento do universo, os buracos negros, a direção do tempo" e que isso "chamou a atenção das pessoas".

"A primeira coisa que chamava a atenção era a doença debilitante e a sua cadeira de rodas", mas a sua mente e "a alegria que levou para a ciência dominaram", disse Turner.

"Embora o público não tenha entendido muitas vezes o que ele dizia, percebiam a sua busca pelas grandes ideias", acrescentou o cosmólogo.

Para Turner, Stephen Hawking "acrescentou uma face humana à ciência" e "isso vai muito para além da sua cadeira de rodas".

Andy Fabian, um astrónomo da Universidade de Cambridge e presidente da Real Sociedade de Astronomia, disse que Hawking começava as palestras para leigos sobre buracos negros com a piada "Eu suponho que todos vocês leram a 'Breve História do Tempo' e entenderam" e acrescentou: "Sempre teve uma maravilhosa gargalhada".

"Percebe-se que o astrónomo médio, como eu, nem sequer tenta seguir as teorias mais esotéricas que [Hawking] perseguiu nos últimos 20 anos", disse Fabian.

"Fui às palestras que Hawking deu e não podia segui-las sozinho", acrescentou.

Stephen Hawking foi um dos cientistas com maior destaque desde o físico alemão Albert Einstein. A sua obra "Uma Breve História do Tempo" é um dos livros mais vendidos no mundo.

Apesar de sofrer de esclerose lateral amiotrófica desde os 21 anos, Hawking surpreendeu os médicos ao viver mais de 50 anos com esta doença fatal, caracterizada pela degeneração dos neurónios motores, as células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos músculos.

Em 1985, uma grave pneumonia deixou-o a respirar por um tubo, forçando-o, desde então, a comunicar através de um sintetizador de voz eletrónico.

Mas Hawking continuou a desenvolver as suas pesquisas na área da ciência, a aparecer na televisão e casou pela segunda vez.

A combinação entre a sua obra e o facto de permanecer quase totalmente incapacitado - no final podia apenas contrair alguns músculos da cara - fez com que se tornasse um dos cientistas mais conhecidos do mundo.

Publicado em 2014, o filme "The Theory of Everything" ("A Teoria de Tudo"), retrata a sua vida e carreira académica.

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