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Rússia diz-se "inocente" em caso de ex-espião e exige acesso a substância

O chefe da diplomacia russa disse hoje que Moscovo está inocente e "pronto para colaborar" com a investigação ao envenenamento de um ex-espião cuja autoria Londres atribuiu à Rússia, e exigiu ter acesso à substância alegadamente utilizada.

Rússia diz-se "inocente" em caso de ex-espião e exige acesso a substância
Notícias ao Minuto

11:58 - 13/03/18 por Lusa

Mundo Serguei Lavrov

A Rússia está "inocente" e "pronta para colaborar" com as autoridades britânicas na investigação sobre o envenenamento do antigo espião russo Serguei Skripal, "desde que a Grã-Bretanha cumpra as suas obrigações internacionais", garantiu hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, numa conferência de imprensa em Moscovo.

O governante russo reagia assim às declarações da primeira-ministra britânica, Theresa May, que esta segunda-feira afirmou ser "muito provável que a Rússia seja responsável" pelo envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da filha, Yulia, numa declaração no parlamento em Londres.

Diante dos parlamentares britânicos, May sublinhou que a substância utilizada contra o ex-espião e a filha Yulia, que ataca o sistema nervoso, é "de qualidade militar" desenvolvida pela Rússia.

Na mesma intervenção, a primeira-ministra do Reino Unido deu a Moscovo um prazo, até terça-feira à noite, para fornecer explicações à Organização para a Interdição de Armas Químicas.

Serguei Skripal, de 66 anos, e a filha Yulia, de 33 anos, foram encontrados inconscientes no dia 04 de março, num banco num centro comercial em Salisbury, no sul de Inglaterra.

"O Reino Unido, como bem devem saber a sua primeira-ministra e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, é membro, tal como a Rússia, da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas", afirmou Serguei Lavrov.

Portanto, acrescentou, se Londres suspeitou que houve utilização de uma substância proibida, "deveria ter-se dirigido imediatamente ao país de onde se suspeita que tem origem essa substância".

Nessa situação, de acordo com o que estabelece a Convenção, a Rússia "teria dado uma resposta no prazo de dez dias", referiu.

Em caso de a resposta "não satisfazer o país que pede a informação, esse país -- neste caso, a Grã-Bretanha -- deve dirigir-se ao conselho executivo da Organização para a Interdição de Armas Químicas e à conferência de países membros", disse ainda.

Lavrov insistiu que Londres tem a obrigação de facultar a Moscovo acesso a todos os materiais relacionados com o caso, assinalando que a parte supostamente implicada na produção de tal substância "reserva-se o direito de ter acesso" à mesma, para poder analisá-la.

"Exigimos, através de uma nota oficial, aceder a esta substância e (...) a todos os elementos da investigação, até porque uma das vítimas é a cidadã russa Yulia Skripal", mas as pretensões russas foram rejeitadas, indicou.

Entretanto, o Ministério de Negócios Estrangeiros russo convocou hoje o embaixador do Reino Unido em Moscovo devido a este caso, um dia depois de o diplomata russo em Londres ter sido chamado pelo Governo britânico.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou na segunda-feira que o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal é um "incidente muito preocupante".

A Casa Branca classificou esta segunda-feira de "ultraje" o ataque com a utilização de uma substância que atacou os sistemas nervosos de um ex-espião russo e da sua filha, mas não responsabiliza, para já, a Rússia.

A Organização para a Interdição de Armas Químicas (OIAQ) afirmou-se hoje "vivamente preocupada" com o envenenamento de um ex-espião russo no Reino Unido, ainda em estado crítico após ter sido exposto a um agente químico letal.

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