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Julgamento de líder pró-curdo detido teve inicio hoje na Turquia

Um tribunal turco iniciou hoje o julgamento do líder de esquerda e pró-curdo Selahattin Demirtas, acusado de atividades "terroristas", num processo muito criticado por defensores dos direitos humanos.

Julgamento de líder pró-curdo detido teve inicio hoje na Turquia
Notícias ao Minuto

15:19 - 07/12/17 por Lusa

Mundo Selahattin Demirtas

Demirtas, 44 anos, foi detido com dez outros deputados do Partido Democrático dos Povos (HDP, terceira força no parlamento de Ancara) em novembro de 2016, na sequência das purgas desencadeadas após o golpe fracassado de julho de 2016, e que também atingiu os meios de esquerda e pró-curdos.

O copresidente do HPD, firme opositor ao que tem sido definido como deriva autoritária do Presidente Recep Tayyip Erdogan, é acusado de dirigir uma "organização terrorista", "propaganda terrorista" e "incitamento à prática de crimes". Arrisca 142 anos de prisão.

O processo foi iniciado no final desta manhã no complexo penitenciário de Sincan, perto de Ancara.

Perante o tribunal, os advogados de Demirtas contestaram as acusações emitidas e consideram que líder curdo apenas promoveu atividades políticas legais, segundo referiram as agências noticiosas. Pediram ainda o abandono das incriminações e a sua libertação, mas o procurador pediu que permanecesse detido.

Demirtas não esteve presente na sala de audiência após o tribunal ordenar que comparecesse por videoconferência desde a prisão onde se encontra, em Edirne (noroeste da Tuquia), mas que recusou fazer, de acordo com o juiz.

As autoridades turcas acusam o HDP de ser a vitrina política do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), uma organização considerada "terrorista" por Ancara e aliados ocidentais.

O partido tem rejeitado estas alegações e afirma estar a ser perseguido por motivos políticos, devido à sua enérgica oposição ao Presidente Erdogan.

Centenas de pessoas concentraram-se frente ao tribunal para manifestar o seu apoio a Demirtas, segundo um jornalista da AFP.

Nove deputados do HDP estão atualmente na prisão, segundo a indicação do partido. Em paralelo, foram retirados os mandatos a cinco dos seus 59 deputados eleitos em novembro de 2015, incluindo à copresidente do partido Figen Yüksekdag, igualmente detida.

A prisão dos deputados do HDP foi possível devido ao levantamento em maio de 2016 da imunidade parlamentar dos deputados alvo de processos judiciais, uma manobra denunciada pelo HDP que a considerou uma forma do Governo erradicar este partido da vida política.

Com Demirtas detido, o HDP perde a sua principal referência quando o país se prepara para eleições municipais, legislativas e presidenciais em 2019.

Em junho de 2015 o HDP foi a grande surpresa das legislativas ao garantir a eleição de 80 deputados e assim impedir, pela primeira vez desde 2002, que o Partido da justiça e do desenvolvimento (no poder) mantivesse a maioria absoluta.

Nas novas eleições convocadas para novembro do mesmo ano, o HDP perdeu 21 deputados mas voltou a ultrapassar a fasquia dos 10% dos votos, obrigatória para garantir representação parlamentar.

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