Novo presidente do Zimbabué tem pouca margem para contrariar expectativas
O líder da oposição zimbabueana, Morgan Tsvangirai, considerou hoje que o novo Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, tem "muito pouca margem" para ir ao encontro das expectativas de mudança no país, sobretudo a um ano das eleições.
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Numa entrevista à agência noticiosa Associated Press (AP), em Harare, Tsvangirai defendeu que o novo chefe de Estado, que sucedeu há quase uma semana a Robert Mugabe, afastado na sequência de um golpe militar, terá "muitas dificuldades" em "convencer seja quem for" de que a nova liderança do país vai melhorar a situação rapidamente, sobretudo a crise económica que assola o país.
Mnangagwa, antigo vice-presidente afastado por Mugabe no início deste mês, estando na origem das movimentações militares que levaram ao fim dos 37 anos de poder ditatoriais do ex-presidente, de 93 anos, prometeu, na tomada de posse, realizar eleições livres e transparentes no próximo ano e que, por isso, a democracia será "reforçada".
O líder da oposição zimbabueana, que chefiou, ao lado de Mugabe, uma inédita coligação governamental após as eleições presidenciais de 2008, votação marcada por atos de violência, confrontos e ilegalidades, afirmou não ter qualquer dúvida de que a liderança de Mnangagwa não trará alterações significativas ao atual panorama político, económico e social.
Negociado por mediadores regionais, a coligação de poder entre o líder da oposição e o ex-presidente zimbabueano terminou em 2013, quando o Movimento para as Mudanças Democráticas (MDC, de Tsvangirai) perdeu as renhidas eleições gerais para a União Nacional Africana do Zimbabué -- Frente Patriótica (ZANU-PF, de Mugabe).
"O Presidente tem de demonstrar que é diferente de Robert Mugabe, que algumas das políticas críticas que pretende impor são diferentes das que foram implementadas nos últimos 10 anos", sublinhou Tsvangirai.
"Deem-lhe tempo, mas penso que tem uma janela muito pequena, uma vez que as expectativas (da população) são muito grandes", acrescentou, salientando, porém, estar "pronto e preparado" para governar o Zimbabué, mesmo que as eleições, cuja data concreta de 2018 está ainda por marcar, se realizassem hoje.
Na entrevista à AP, Tsvangirai exigiu que sejam aprovadas "reformas verdadeiras e substanciais" ao sistema eleitoral zimbabueano, para que se deem garantias à população na altura de escolher um novo presidente e os novos líderes.
Sobre uma eventual "caça às bruxas" no Zimbabué, sobretudo personalidades ligadas ao regime de Mugabe, o líder da oposição considerou que tal constituiria uma tarefa infindável e abriria uma "caixa de Pandora" que traria instabilidade ao país.
No entanto, Tsvangirai defendeu que a criação de uma comissão da verdade e reconciliação" seria uma forma positiva de resolver os crimes cometidos durante o regime de Mugabe.

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