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Cuidados paliativos? Dignidade até ao fim

Hoje assinala-se o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. Um pouco por todo o mundo é enfatizada a necessidade de reforçar o acesso a estes cuidados. O Notícias ao Minuto esteve, por isso, à conversa com Helena Salazar, psicóloga e mestre em cuidados paliativos, que irá apresentar brevemente um livro sobre o tema.

Cuidados paliativos? Dignidade até ao fim
Notícias ao Minuto

16:33 - 14/10/17 por Notícias Ao Minuto

Mundo Saúde

"O caminho faz-se caminhando”, este é o lema das pessoas que, seja devido a uma doença crónica ou terminal, viram a sua vida cruzar-se, a determinada altura, com os cuidados paliativos. Em Portugal, os profissionais de equipas multidisciplinares desenvolvem esforços para não deixar ninguém que sofre para trás, tentando garantir-se o acesso universal a estes serviços médicos.

As pessoas que se veem 'a braços' com uma doença incurável encontram, nestes cuidados, profissionais que procuram maximizar a sua qualidade de vida e de sobrevida. Encontram uma 'mão' que ajuda a aliviar o sofrimento; um profissional disponível para ouvir; uma voz que pode suavizar a angústia do momento. 

Falamos, concretamente, de cuidados que “visam melhorar a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alívio do sofrimento”, define a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Embora, tradicionalmente, os cuidados paliativos sejam associados ao fim de vida, esta ideia não passa de uma falácia. De acordo com Helena Salazar, psicóloga e mestre em cuidados paliativos, “esta é uma área muito mítica e está associada ao doente terminal. Mas isto, na realidade, não é verdade. Tratam-se de cuidados que se destinam a pessoas que estão, em termos de cuidados de saúde, muito frágeis devido ao facto de padecerem de doenças graves, avançadas ou irreversíveis. E a integração deve ser o mais precoce quanto possível”.

Outro dos mitos, de acordo com a psicóloga, prende-se com a faixa etária dos pacientes que recorrem a estes serviços clínicos. “Os cuidados paliativos são também associados a pessoas adultas, ou até da terceira idade, mas não é verdade. Há casos pediátricos que requerem a intervenção dos profissionais desta área e até situações em útero”, revela.

Recentemente, Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, defendeu que todos os médicos deveriam ter formação em cuidados paliativos. Heleza Salazar é partidária da mesma opinião e, neste domínio, “temos vindo a assistir a um avanço, já que começam a ser dados os primeiros passos no sentido de esta ser uma disciplina obrigatória no plano curricular do Mestrado Integrado em Medicina”.

Já ao nível político, “o atual Ministério da Saúde tem canalizado esforços para que os cuidados paliativos sejam uma prioridade de desenvolvimento no panorama nacional”.

Um decreto-lei, publicado esta terça-feira em Diário da República, veio alargar o regime de isenção de taxas moderadoras a “utentes que padecem de uma doença grave e/ou prolongada, incurável e progressiva”. Baseado em “critérios de racionalidade e de discriminação positiva dos mais carenciados e desfavorecidos”, este diploma legal vem assim isentar o pagamento de taxas moderadoras as pessoas que necessitam da intervenção dos cuidados paliativos. Na opinião da psicóloga, este “é um passo muito positivo e em breve teremos também novidades ao nível dos cuidados paliativos pediátricos”, desvenda.

Necessidades vs. oferta em cuidados continuados. Uma equação equilibrada?

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) não dispõe das respostas suficientes para responder às necessidades dos pacientes que carecem de cuidados paliativos. Temos de ser sinceros”, advoga Helena Salazar. No entanto, “estamos consideravelmente melhores”, defende.

No âmbito das equipas especializadas, “no início de 2018 os hospitais vão passar a ter a estrutura intra-hospitalar de suporte em cuidados paliativos. E isto é realmente um progresso”.

Já no que se refere às unidades de cuidados paliativos, “refiro-me ao internamento, temos realmente um défice. Necessitamos de um grande desenvolvimento destas estruturas dentro de algumas unidades hospitalares, não só nos que estão a funcionar dentro da rede nacional de cuidados continuados, mas também nos hospitais de agudos”.

O apoio ao nível dos cuidados continuados é prestado também junto da comunidade e esta é, efetivamente, “a estrutura mais delicada e mais difícil de pôr em marcha. Porém, temos tido apoio do Ministério da Saúde e estão a ser criadas novas equipas. Mas há ainda zonas de expressão geográfica, como no Alentejo, onde precisamos de mais equipas de intervenção na comunidade. É necessário um grande investimento neste domínio para que a cobertura nacional seja mais ampla”.

‘Intervenção Psicológica em Cuidados Paliativos’ é o nome do livro que Helena Salazar coordenou e que será apresentado nos próximos dias. Mais do que uma obra sobre os cuidados paliativos, o livro sintetiza a experiência consolidada de 10 especialistas nesta área.

Partindo de casos reais, serve de guia “a uma intervenção informada e de incentivo à atualização profissional”. Para além disso, “o livro é apresentado ao cidadão de forma clara. Quisemos que este fosse um trabalho aprazível que traduzisse a parte técnica para não ser algo hermético e fechado na ciência psicológica”.

Anualmente, no segundo sábado do mês de outubro assinala-se o Dia Mundial dos Cuidados Continuados. Este ano, celebra-se a 14 de outubro. Trata-se, com efeito, de uma ação unificada para celebrar e apoiar os cuidados continuados, enfantizando-se, um pouco por todo o mundo, a necessidade de reforçar o acesso universal a este tipo de serviço clínico.

Para assinalar este Dia Mundial, a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos organizou um seminário subordinado ao tema ‘Vida com dignidade e qualidade até ao fim’ na Fundação Calouste Gulbenkian.

Notícias ao Minuto© Taylor

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