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Degelo vai continuar a revelar corpos e a desvendar desaparecimentos

O fenómeno das alterações climáticas tem-se feito sentir nos glaciares dos Alpes e de outras regiões montanhosas. O degelo tem revelado vários corpos recentemente e os especialistas não têm dúvidas de que muitos mais serão encontrados.

Notícias ao Minuto

11:30 - 19/09/17 por Notícias Ao Minuto

Mundo Clima

O corpo de um homem mumificado foi encontrado há 26 anos nos Alpes, em Ötztaler, junto à fronteira entre a Áustria e Itália, por dois alemães que faziam uma caminhada naquele local. Não se tratava de um corpo qualquer. Era o corpo de um homem da Idade de Bronze com cinco mil anos.

Foi uma descoberta única para arqueólogos. O gelo preservou o corpo. Uma oportunidade sem precedentes para estudarem um homem que tinha vivido na Idade do Bronze. Foi-lhe dado o nome de Özti e cedo ficou conhecido como o Homem do Gelo. Tinha morrido com 45 anos em 3105 Antes de Cristo, assassinado com uma seta nas costas.

O corpo só foi descoberto porque setembro de 1991 foi especialmente marcado pelo calor e pelo degelo nos Alpes. Por isso, e por ter ficado tão bem preservado durante tanto tempo, a descoberta de Özti também foi saudada pela comunidade científica, já que representava uma oportunidade de saber como tinham evoluído os glaciares e o clima ao longo de milhares de anos.

Talvez mais do que em qualquer outro ano, a efeméride da descoberta de Özti ganha hoje particular relevo. As alterações climáticas estão cada vez mais em foco e começa a tornar-se difícil ignorá-las. Se em 1991 os dois caminhantes alemães encontraram o corpo de Özti, este ano está a ficar marcado pelo degelo nos Alpes, onde não um mas vários corpos têm sido revelados. A cadeia montanhosa tem funcionado como uma espécie de cápsula do tempo para centenas de cadáveres que ao longo de várias décadas ali ficaram.

Em julho, um funcionário de uma empresa de ski, a Glacier 3000, encontrou os corpos de um casal suíço que tinha desaparecido há 75 anos. Marcelin e Francine Dumoulin saíram de casa no dia 15 de agosto de 1942 e não voltaram a ser vistos. Viviam numa aldeia nos Alpes suíços e sabia-se que tinham ido ordenhar as vacas. Deixaram para trás sete filhos. O seu desaparecimento foi uma tragédia e o mistério só foi resolvido após a descoberta dos corpos.

Embora sem certezas, as autoridades desconfiam que o casal terá caído numa fenda no glaciar de Tsanfleuron. O gelo ajudou a preservar os seus corpos e as roupas que vestiam no fatídico dia. Uma das duas filhas do casal que ainda estão vivas, Marceline Udry-Dumoulin, agora com 79 anos, mostrou-se agradada com o final do mistério em torno dos pais. "Não podem perceber o alívio que isto representa para mim. Eu não conheci os meus pais, tinha quatro anos. Mas uma das questões que tive sempre na minha mente era saber onde eles estavam", disse numa entrevista ao New York Times dias depois da descoberta dos corpos.

De acordo com especialistas, tal como Marceline Udry-Dumoulin, muitas pessoas poderão conhecer em breve o destino dos seus familiares desaparecidos nos Alpes. A descoberta dos corpos deste casal suíço é apenas um exemplo de corpos que foram descobertos nos últimos anos naquela região.

Christian Zuber, porta-voz da polícia de Valais, disse ao The Guardian que tem uma lista de mais de 300 nomes de pessoas que desapareceram nos Alpes desde 1925. "Os glaciares estão a recuar, por isso é lógico que estejamos a encontrar cada vez mais corpos e partes de corpos. Nos próximos anos esperamos que muitos mais casos de pessoas desaparecidas sejam resolvidos", afirmou ao jornal britânico.

Um relatório do World Glacier Monitoring Service estima que, entre 2000 e 2010, os glaciares dos Alpes perderam um metro de densidade todos os anos e uma investigação do jornal suíço Tagesanzeiger mostra que oito dos dez meses em que estes glaciares perderam maior volume no último século ocorreram desde 2008.

O degelo vai continuar, isso parece certo. A única duvida dos especialistas é a velocidade a que os glaciares vão derreter. Não será por isso uma surpresa que mais corpos venham a ser descobertos. E não apenas nos Alpes. Noutras cadeias montanhosas da Europa ou em regiões onde os glaciares dominaram durante muito tempo. Algo que está a mudar nesta era do aquecimento global. Se por um lado estas descobertas trazem algum alívio aos familiares e os arqueólogos se regozijam com a descoberta de corpos mumificados de antigas culturas, há um aspeto negativo e que preocupa cada vez mais os cientistas. Estas descobertas só atestam a rapidez com que o clima está a mudar, o ritmo é cada vez maior assim como as consequências. A corrida para combater as alterações climáticas está a atingir uma fase crítica.

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