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Assistente social que trabalhou com suspeitos: "Como é possível, Younes?"

O testemunho em primeira mão, através de carta aberta enviada ao La Vanguardia, de uma assistente social que trabalhou com alguns dos jovens que cometeram o duplo atentado terrorista em Barcelona.

Assistente social que trabalhou com suspeitos: "Como é possível, Younes?"
Notícias ao Minuto

23:57 - 21/08/17 por Notícias Ao Minuto

Mundo Barcelona

Raquel Rull, de 41 anos de idade, é uma assistente social em Ripoll, de onde eram alguns dos membros da célula terrorista que planeou e executou o ataque a Barcelona, na passada quinta-feira. A mulher, que trabalhou com alguns dos suspeitos, escreveu uma carta aberta sobre o sucedido, publicada pelo La Vanguardia.

Começando por falar da necessidade de “gritar” algo que não vai sair nos jornais nem passar na televisão, indicou que nunca teve “um sentimento tão forte como este”, que não é capaz “nem de o descrever”.

“Estes rapazes eram rapazes como quaisquer outros. Como os meus filhos, eram rapazes de Ripoll. Como aquele que se vê jogar na praça, ou que carrega a mochila cheia de livros, ou que te cumprimenta e te deixa passar à frente na fila do supermercado”, indicou.

“Doem-me os rastilhos que incendeiam o ódio nas redes, nas ruas, no povo onde vivo, nos jornais...”, indicou, apontando a “ignorância” e a “indiferença” mostrada ao não saber “pôr-se na pele do outro”.

“Dói-me que tenham sido eles”, escreveu, “estou destroçada, partida por dentro”. “Sei que nestes dias a balança e o apoio pende para as vítimas, para os filhos que se perderam, para as famílias destruídas”, admitiu, “mas permitam-me mostrar-vos o reverso da moeda”.

Raquel explicou que sempre trabalhou como assistente social - “na rua, nas trincheiras, como costumamos dizer” - em Ripoll e com grupos de jovens. Falou sobre as crianças que chegaram até si e com as quais foi crescendo, os sonhos que os foi ajudando a desenvolver. “Piloto, maestro, médico, colaborador de uma ONG. Como é que isto desapareceu tudo? Que é que vos aconteceu? Em que momento?”, questionou.

“Já não vos vou voltar a dizer que bonitos que estão, se já têm namorada, ou como cresceram (…) dói-me tanto. Nem posso acreditar”, indicou.

“Said, Moha, Moussa, Youssef, Omar… Younes… E agora Houssin… (é um pesadelo, a lista é cada vez maior). Como é possível, Younes? Os dedos tremem-me, nunca vi ninguém tão responsável como tu… Os atos que vocês cometeram não têm explicação e não são lícitos, a guerra, a ira, o ódio não levam a lugar nenhum. Nunca, em nome de ninguém. (…) Só posso dizer que tenho o coração partido”, terminou.

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