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Igreja católica denuncia a morte de três mil civis no centro da RDCongo

Mais de três mil pessoas foram mortas depois de outubro de 2016 no conflito na região de Kasai, República Democrática do Congo, indica hoje um documento da Nunciatura Apostólica em Kinshasa.

Igreja católica denuncia a morte de três mil civis no centro da RDCongo
Notícias ao Minuto

12:23 - 20/06/17 por Lusa

Mundo Conflito

De acordo com a nota divulgada hoje pela Nunciatura Apostólica na capital da República Democrática do Congo (RDCongo), 3.383 pessoas morreram na sequência de ações violentas na região central do país, desde 2016.

Até ao momento, as Nações Unidas indicavam a existência de "mais de 400 mortos".

Kinshasa ainda não respondeu à denúncia oficial da igreja católica mas, na segunda-feira, o ministro da Justiça da RDCongo, Alexis Thambwe Mwamba, rejeitou uma proposta das Nações Unidas para a realização de uma investigação internacional sobre abusos cometidos nas províncias de Kasai Central e Kasai Oriental.

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, já tinha feito um apelo, no dia 09 de junho, no sentido da urgência de uma investigação, depois de ter constatado que o apoio das autoridades da RDCongo não era suficiente.

Apesar dos apelos, a proposta sobre o inquérito foi totalmente afastada pelo ministro da Justiça de Kinshasa, em declarações durante uma conferência de imprensa, na segunda-feira, em Genebra.

"Aceitar uma investigação independente é aceitar que o Congo não é um país independente. Somos um país soberano com 3.500 juízes civis e 800 juízes militares e nós podemos perfeitamente levar a cabo uma investigação", afirmou o ministro, reagindo às posições da ONU.

O gabinete do alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos já tinha recordado que, desde agosto de 2016, cerca de 1,3 milhões de pessoas das províncias de Kasai se encontravam deslocadas e que mais de 30 mil civis tinham fugido para Angola.

O conflito nas províncias centrais da RDCongo começou em 2016 quando o líder da milícia, Kamuina Nsapu, foi abatido pelo Exército.

A milícia retaliou contra polícias, militares e instituições governamentais tendo começado a recrutar crianças para combater as autoridades.

Segundo fontes ligadas a grupos de direitos humanos, as Forças Armadas responderam com "ataques indiscriminados", executando os suspeitos de envolvimento na milícia de Nsapu.

Segundo as Nações Unidas, 42 valas comuns, alegadamente com vítimas do Exército foram detetadas na região mas admite que o número de locais onde se encontram os mortos pode ser superior.

A ONU dispõe ainda de informações sobre execuções, assassínios de crianças e de acusações sobre abusos sexuais nas províncias Kasai.

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