O candidato liberal pela renovação do sistema

Emmanuel Macron lançou-se na corrida presidencial francesa projetando a imagem de um político novo e descomprometido, "nem de direita nem de esquerda", disposto a renovar a lógica prevalecente, e tornou-se no favorito para derrotar a candidata da extrema-direita.

© Reuters
Mundo Macron

Macron, 39 anos, nunca foi eleito e demitiu-se do cargo de ministro da Economia (2014-2016) do governo do presidente François Hollande para apresentar a candidatura.

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Com a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, a liderar inequivocamente as sondagens, Macron beneficiou do apoio de importantes figuras da esquerda, como o histórico François Bayrou, e da queda de popularidade do candidato da direita, François Fillon, envolvido num escândalo de alegado uso indevido de fundos públicos.

A imprensa francesa qualifica-o de "puro produto da intelectualidade": filho de um casal de médicos, saído das escolas de elite e banqueiro de investimentos, até entrar na política em 2012 como conselheiro de Hollande.

Dessa experiência, e da de ministro, Macron diz ter retirado um ensinamento central: o da disfunção do sistema político.

Disse-se candidato da "verdadeira indignação" e da renovação, face "às mesmas caras" da classe política "há 30 anos": "Isto não pode continuar assim!".

Nas palavras de Hollande, numa reunião recente, "Macron teve a intuição, precisamente porque estava fora da vida política tradicional, que os partidos de governo criaram as suas próprias fraquezas, perderam atratividade e estavam [...] desgastados, cansados e envelhecidos".

Essa intuição levou o jovem ministro a fundar, em abril de 2016, o seu próprio movimento, "Em Marche!", com as suas iniciais -- EM -- que reivindica 200.000 militantes.

O programa com que se candidata é de inspiração social-liberal, prometendo reconciliar "liberdade e proteção", reformar o subsídio de desemprego, criar apoios especiais para os jovens de bairros desfavorecidos e "olhar para a classe média", "esquecida pela direita e pela esquerda".

Europeísta "assumido" mas com pouca experiência internacional, tentou reforçar esta vertente com uma visita ao Líbano e outra a Berlim, onde se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, junto de quem suscita, segundo a imprensa, "interesse e simpatia".

O seu discurso, politicamente transversal, agrada sobretudo aos jovens urbanos e aos empresários, mas não é popular junto das classes populares, sobretudo rurais, pela globalização que defende.

Contrariamente aos outros candidatos, Macron expõs na campanha a vida privada, aparecendo frequentemente com a mulher, Brigitte, 24 anos mais velha e sua antiga professora. A opção por essa exposição pode ter decorrido do desmentido que fez de rumores lançados nas redes sociais de que seria homossexual.

A primeira volta das presidenciais de França realiza-se no domingo, 23 de abril. Os dois candidatos mais votados disputam uma segunda volta, marcada para 07 de maio.

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