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"O sistema mundial tem que ser radicalmente questionado"

O escritor moçambicano Mia Couto, que esta segunda-feira venceu o Prémio Camões, considera necessário que se questione o sistema mundial e que o único caminho para que tal aconteça é a insubordinação, primeiro, em termos do espírito.

"O sistema mundial tem que ser radicalmente questionado"

"As pessoas, acho que todas, se compenetraram, principalmente nos últimos anos, que isto não é uma crise localizada, não é uma falha, nem é um erro de um certo sistema, mas que é o próprio sistema que tem que ser radicalmente questionado", afirmou à agência Lusa Mia Couto, pouco tempo depois de saber que tinha vencido a 25.ª edição do Prémio Camões.

"Ou nós vamos melhorar a miséria, ou nós vamos resolver o mundo, a nossa vida e a nossa esperança. Portanto, acho que não há outro caminho que não seja a insubordinação", realçou.

"Não digo insubordinação como se ela, por si mesmo, trouxesse as respostas automaticamente. Mas tem que haver uma insubordinação, primeiro, em termos do espírito, em termos daquilo que nós temos que não aceitar deste mundo e da explicação que se dá do mundo", explicou o escritor moçambicano.

"Acho que essa é a primeira grande insubordinação. Não falo exactamente em ir fazer manifestações para a rua, mas acho que é preciso estarmos disponíveis para pensar que é preciso encontrar outro caminho", acrescentou.

Mia Couto admitiu hoje à Lusa que ficou surpreendido por ter vencido o Prémio Camões, tendo ficado "muito feliz" com esta distinção.

O júri da 25.ª edição decidiu, hoje, premiar Mia Couto pela "vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e pela profunda humanidade".

A obra de Mia Couto, "inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade", disse à Lusa José Carlos Vasconcelos, membro do júri.

O Prémio Camões foi criado por Portugal e pelo Brasil e atribuído pela primeira vez em 1989, distinguindo o escritor Miguel Torga.

É a segunda vez que é escolhido um escritor de Moçambique, depois de José Craveirinha, em 1991.

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