Vai mesmo haver muro e fim do Obamacare. Trump apresenta Trump Presidente

Meses depois da última conferência de imprensa, o presidente eleito Donald Trump respondeu esta quarta-feira a questões de alguns jornalistas sobre o tão polémico muro, as relações com o Kremlin e o fim do Obamacare.

© Reuters
Mundo EUA

O presidente eleito dos Estados Unidos Donald Trump respondeu hoje a questões. O Notícias ao Minuto acompanhou o momento, dando conta das declarações mais importantes.

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A recente polémica envolvendo os serviços de informação dos EUA, que acusam a Rússia de Putin de ter interferido nas eleições norte-americanas, é 'tema quente' em destaque. Mas Donald Trump, que assume o controlo da Casa Branca dentro de nove dias, falou também da sua empresa, da sua presidência e da polémica mais recente, que desmente por inteiro.

Serviços de informação e o Kremlin

Trump é questionado sobre se as alegações de que foi informado, pelos serviços secretos norte-americanos, de que o Kremlin tem informação comprometedora sobre ele.

“É tudo notícias falsas, não aconteceu”, diz, acrescentando que foram “pessoas doentes” a causar a situação.

“Li o que foi divulgado e é uma desgraça”, atirou Trump.

Saliente-se que o que o BuzzFeed divulgou é um suposto relatório de 35 páginas que estaria a circular entre serviços de informação (algo que não foi confirmado por serviços de informação e que incluiria práticas sexuais).

Trump elogiou algumas “agências noticiosas” pelo tratamento do caso e nega por completo o que o BuzzFeed publicou. O tema tem marcado a atualidade mediática norte-americana. “Acreditam mesmo nessa história?”, questionou, acrescentando que, “para além disso, é bastante germofóbico”, comentário que valeu algumas gargalhadas entre os presentes como reação.

Trump recorda também que o Kremlin já negou ter qualquer informação comprometedora, pessoal ou financeira, sobre presidente eleito dos EUA.

Sobre a Rússia

“Acho que foi a Rússia mas...”. Regressando à divulgação de emails internos do partido democrata durante a campanha presidencial, Trump admite igualmente hacking de outros países, desvalorizando o caso no que à Rússia diz respeito.

“Houve muito hacking a acontecer”, diz, mas o comité do partido democrata “fez um péssimo trabalho a defender-se”.

“Respeito o facto de Putin ter dito isso”, acrescenta Trump, referindo-se à negação do caso por parte do líder russo. Já sobre a sua relação com Putin, Trump é perentório: “Se Putin gosta de Donald Trump, isso é um activo, não uma desvantagem (…). Alguém nesta sala acha que Hillary seria mais árdua com Putin do que eu, give me a break?”.

“Não tenho nenhum negócio com a Rússia”, salientou ainda.

“A Rússia vai ter muito mais respeito por nós quando for eu a líder o país”, acrescentou posteriormente, quando o tema voltou a ser recuperado por um dos jornalistas presentes.

Negócios pessoais e presidência

Sobre a sua vida de empresário e como geri-la agora que é presidente e deve sê-lo a tempo inteiro, diz Trump que “podia liderar o grupo Trump, uma grande, grande empresa, e governar ao mesmo tempo”.

Recordando que no tempo de Rockefeller estas preocupações não foram semelhantes, uma advogada que falou em nome de Trump salientou que está a ser preparada uma “estrutura que o isole por completo” da sua empresa, enquanto for presidente.

Trump irá igualmente demitir-se dos seus cargos, adiantou a representante jurídica. Antes, o próprio Trump afirmou que recentemente recebeu uma proposta de dois mil milhões de dólares oriunda do Dubai. “E recusei”, adiantou. Serão os seus dois filhos a assumir a gestão do grupo que criou e a que dá nome.

“Os eleitores conheciam a situação empresarial de Trump. Muitos votaram nele precisamente por causa disso”, lê a advogada do comunicado.

Sobre a presidência

“O dia 20 de janeiro [dia em que oficialmente assume a presidência] vai ser muito especial, muito bonito”, afirma o presidente eleito.

“Estou muito orgulhoso do meu gabinete”, diz.

“Os nossos acordos comerciais são uma desgraça. Perdemos milhares de milhões de dólares todos os anos (...) já não sabemos fazer negócios”.

Obamacare

“Finalmente o Obamacare”, afirma Trump, contente pelo facto de o tema ser introduzido. “Vão ficar muito orgulhosos do que temos preparado”.

“O Obamacare é um completo desastre”, sentencia Trump, recuperando uma frase que muito lhe ouvimos durante a campanha presidencial. “2017 vai ser o ano mau (…) o mais fácil seria deixá-lo implodir”, diz ainda. No entanto, “Vai ser repelido e substituído em simultâneo”, afirma ainda sobre o plano de saúde criado durante a liderança de Barack Obama.

“Será muito menos dispendioso e muito melhor”, assegura.

Taxa aduaneira

Trump assegura que há 'imposto fronteiriço' na calha.

“Podem mudar-se, desde que seja dentro das fronteiras dos Estados Unidos”, diz Trump às grandes empresas, que garante que haverá impostos pesados para empresas que saiam do país [transferindo, por exemplo, fábricas] e queiram continuar a comercializar nos Estados Unidos.

Muro com o México

Vamos construir um muro. Podíamos esperar um ano e meio enquanto se negoceia com o México mas não estou com vontade de esperar”.

“Não é uma cerca, é um muro”, faz questão de realçar. E “o México irá reembolsar-nos por isso. Vai acontecer”, afirma.

“Provavelmente até vamos ter um acordo antes disso [o tal ano e meio que referiu]. Trump elogia ainda o México e os mexicanos. “Não os culpo, o que digo é que nós [norte-americanos] não devíamos ter deixado isso acontecer”. Mas vai haver muro, garante.

BuzzFeed e CNN

Donald Trump chama “monte de lixo” ao site BuzzFeed e volta a afirmar que se tratam de “notícias falsas”. A mesma acusação é dirigida a uma jornalista da CNN, cadeia televisiva que Trump acusa de ter tentado dar suporte ao que o BuzzFeed escreveu.

Um jornalista da CNN insiste em fazer uma pergunta. “Não lhe vou dar uma pergunta”, repete Trump várias vezes, passando a palavra a outro jornalista.

Antes de a conferência de imprensa terminar, Trump diz que os serviços de informação terão 90 dias para apresentar novo relatório, relativamente à espionagem informática. Mais uma vez os serviços de informação não escapam a críticas de Trump.

Donald Trump termina a conferência adiantando que, quando abandonar a presidência, falará com os dois filhos sobre os negócios. E caso não tenham feito um bom trabalho, “serão despedidos”. “You're fired”, diz mesmo, recuperando a expressão que popularizou quando era o protagonista do reality-show 'The Apprentice'.

[Notícia atualizada às 17h45]]

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