Mais de 220 ONG pedem à ONU que procure deter guerra síria

Mais de 220 organizações não-governamentais (ONG) juntaram-se hoje para exigir à assembleia-geral das Nações Unidas que organize uma sessão especial para procurar deter a guerra na Síria, face ao bloqueio no Conselho de Segurança.

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Mundo Conflito

"O Conselho de Segurança tem falhado ao povo sírio durante os últimos seis anos. (...). Os restantes Estados-membros têm de atuar", considerou a diretora da Amnistia Internacional, em Nova Iorque, Sherine Tadros.

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As ONG querem que a assembleia-geral utilize a resolução "União pró-Paz", um texto aprovado em 1950 que permite que o órgão se ocupe de assuntos de paz e segurança quando o Conselho de Segurança não é capaz de atuar por falta de consenso.

Habitualmente, o Conselho de Segurança é o encarregado de tratar este tipo de crises e as suas resoluções são vinculativas, enquanto a assembleia -- onde têm assento os 193 países que são membros da ONU -- se ocupa de outras áreas e conta com menos poder.

O diretor da representação da Human Rights Watch (HRW) junto da ONU, Louis Chanebonneau, recordou que, ao longo da história, este mecanismo foi utilizado em dez ocasiões e que, em várias crises, permitiu conseguir resultados no terreno.

O responsável sublinhou que os 193 Estados-membros da ONU têm de "atuar já" no caso da Síria e não podem "esconder-se" atrás do "bloqueio" no Conselho de Segurança, onde as divergências entre a Rússia e o Ocidente tem impedido avanços.

Coincidindo com a apresentação desta iniciativa, a HRW publicou hoje um relatório em que assegura que as forças sírias e russas cometeram em setembro e outubro crimes de guerra durante a sua campanha de bombardeamentos aéreos contra as zonas sob controlo rebelde da cidade de Alepo.

"Alepo está próximo de ser outro Ruanda ou Srebrenica", disse, em comunicado, Simon Adams, diretor executivo do Centro Global para a Responsabilidade de Proteger.

Entre outras ações, as ONG consideram que a assembleia-geral pode reclamar uma interrupção das hostilidades, um regresso às negociações de paz ou a criação de um mecanismo para investigar os crimes mais graves cometidos durante a guerra na Síria.

Nos últimos dias, tem aumentado a pressão para que este órgão da ONU se pronuncie sobre o assunto.

A embaixadora norte-americana junto das Nações Unidas, Samantha Power, mostrou-se aberta a explorar novos canais, face à impossibilidade de conseguir avanços no Conselho de Segurança -- de que os Estados Unidos é um dos membros com assento permanente, a par da Rússia, China, França e Reino Unido.

Entretanto, o Canadá lançou uma iniciativa própria para levar o assunto à assembleia-geral.

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