Ucrânia avisa Rússia de que vai realizar testes de mísseis

A Ucrânia aumentou hoje as tensões com Moscovo ao avisar o Kremlin de que o seu exército vai realizar dois dias de exercícios de lançamento de mísseis perto da fronteira com a Crimeia, península ucraniana anexada pela Rússia.

© Reuters
Mundo Península

Kiev não revelou se os testes marcados para quinta-feira envolverão alvos específicos, ou se os mísseis vão apenas ser disparados para o ar.

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De qualquer maneira, vão por certo causar danos nas relações entre os dois antigos vizinhos soviéticos que se tratam como inimigos declarados.

Tais exercícios, perto da península da Crimeia, serão uma estreia para a Ucrânia e não ficou imediatamente claro o que terá desencadeado a sua realização.

Mas o anúncio feito por Kiev destas manobras militares surge depois de Moscovo ter detido na Crimeia, na semana passada, um alegado espião contratado pelas Forças Armadas ucranianas e ter acusado Kiev de raptar dois militares na região.

O Governo da Ucrânia considera que a Rússia anexou ilegalmente a península do mar Negro em março de 2014, após a deposição, um mês antes, do Presidente ucraniano apoiado por Moscovo.

Acusa também Moscovo de apoiar uma rebelião separatista pró-russa no leste industrial da Ucrânia, num conflito que fez quase 10.000 mortos.

A Rússia defende que a sua apropriação da Crimeia foi legal e nega ter conspirado ou apoiado o mais sangrento conflito na Ucrânia desde a Segunda Guerra Mundial.

O vice-ministro da Defesa ucraniano, Oleksandr Dublyan, disse que os testes de lançamento de mísseis começam na quinta-feira, em conformidade com a lei internacional.

"Não estamos a violar uma única norma internacional", disse o governante, citado pelo site de notícias ucraniano Dzerkalo Tyzhnya.

Kiev e a esmagadora maioria da comunidade internacional consideram a Crimeia -- uma região com cerca de dois milhões de habitantes maioritariamente falantes de russo -- parte da Ucrânia.

A agência noticiosa russa RIA Novosti tinha, pouco antes, citado a autoridade da aviação civil da Rússia afirmando que os mísseis da Ucrânia iriam mesmo aproximar-se da capital da Crimeia, Simferopol.

A imprensa de Kiev dava hoje conta de especulações segundo as quais Moscovo tenciona abater os mísseis ucranianos assim que os testes comecem.

O diretor do Conselho de Segurança Nacional ucraniano reagiu dizendo que tais ameaças não funcionarão.

"Ameaças sobre o uso de armas contra a Ucrânia são um esforço para transformar a guerra híbrida que a Rússia tem travado contra nós nos últimos três anos numa guerra ativa", sustentou Oleksandr Turchynov em comunicado.

Dmitry Peskov, o porta-voz do Presidente russo, Vladimir Putin, disse à imprensa em Moscovo que "o Kremlin não gostaria de ver qualquer tipo de ações da Ucrânia que se oponham ao direito internacional".

Acrescentou também que os testes poderão "criar condições perigosas para os voos internacionais que sobrevoem o território da Rússia e regiões vizinhas".

 

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