Dirigente local pede corredor de segurança para civis fugirem de Alepo

O presidente do conselho local dos bairros rebeldes do leste de Alepo apelou hoje para a abertura de um "corredor de segurança" para permitir a fuga das dezenas de milhares de civis cercados pelos bombardeamentos.

© Reuters
Mundo Síria

"Deixem os civis sair, protejam os civis, criem um corredor de segurança para que possam sair", disse Brita Hagi Hassan numa conferência de imprensa após um encontro em Paris com o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault.

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"Em nome da humanidade, em nome da lei internacional, pedimos que seja permitido aos civis fugir de Alepo e ir para onde quiserem", acrescentou.

Mais de 50.000 sírios fugiram nos últimos dias de Alepo devido à intensificação dos ataques das forças do regime à zona da cidade controlada pelos rebeldes, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Hassan assegurou que as forças do regime de Bashar al-Assad estão a executar uma "política de terra queimada" para "devastar Alepo e ocupá-la em seguida".

Segundo este responsável, 250.000 civis estão "ameaçados de morte".

"Nas zonas recuperadas por forças do regime e milícias iranianas há execuções sumárias e ajustes de contas. Todos os homens com menos de 40 anos são detidos", disse.

O ministro francês afirmou que a proteção dos civis é "a prioridade do momento" e que "a única alternativa é agir".

O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se hoje de emergência sobre a situação, reunião em que participa o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura.

A Coligação Nacional da oposição síria disse estar a trabalhar com a diplomacia francesa num projeto de resolução da ONU para um cessar-fogo imediato em Alepo, embora a Rússia, aliada do regime de Damasco, deva provavelmente vetar uma tal proposta.

Ayrault anunciou por outro lado para 10 de dezembro em Paris uma reunião de países ocidentais e árabes que "rejeitam a lógica de uma guerra total" na Síria.

As forças governamentais sírias controlam nesta altura cerca de um terço do leste de Alepo e prosseguem a ofensiva para recuperar toda a zona oriental da cidade.

Mais de 300.000 pessoas foram mortas e milhões obrigadas a fugir desde o início da guerra na Síria, há quase seis anos.

 

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